A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, criticou a proibição das casas de apostas esportivas (bets) feita pelo presidente Lula por meio de medida provisória. Em entrevista ao Ge TV, ela classificou a decisão como “muito abrupta” e afirmou que a medida pegou todos os clubes de surpresa, apesar de o Palmeiras já ter recebido os valores previstos para 2026. Leila disse esperar uma solução nos próximos dias e destacou que os contratos precisam ser cumpridos por uma questão de credibilidade do país. As informações são do Ge TV.
O Palmeiras tem contrato com a Sportingbet até dezembro de 2027, que prevê R$ 100 milhões por temporada, corrigidos pela inflação, podendo chegar a R$ 173 milhões anuais com bônus. A patrocinadora é a marca máster dos times masculino e feminino do clube. O orçamento do Palmeiras para 2026 previa arrecadar R$ 259 milhões em publicidade e patrocínio. Leila afirmou que, se a proibição permanecer, o clube vai conversar para finalizar o contrato de forma amigável e profissional, mas descartou patrocínios pontuais.
A crítica de Leila segue o mesmo argumento de outros clubes e entidades liberais, que apontam insegurança jurídica. O setor foi regulamentado pelo governo federal, e a proibição repentina rompe compromissos assumidos com as empresas.
Só os patrocínios das bets aos clubes da Série A superaram R$ 1 bilhão em 2025, segundo levantamentos citados pelo Sinafut. Além dos clubes, as casas de apostas firmaram contratos de naming rights com estádios e competições. O Campeonato Brasileiro passou a se chamar Brasileirão Betano, e a Copa do Brasil virou Copa Betano do Brasil. Arenas como a Fonte Nova, em Salvador, e a das Dunas, em Natal, também adotaram nomes de bets.
O governo publicou a medida provisória antes do primeiro turno das eleições. Os usuários tiveram até 5 de outubro para retirar saldos das plataformas. Entre os dias 6 e 7 de outubro, as empresas comunicaram saldos remanescentes às instituições financeiras. O prazo para devolução dos valores começou na sexta-feira (9) e vai até esta quarta-feira (14).
As apostas esportivas foram autorizadas no Brasil por lei sancionada pelo então presidente Michel Temer em dezembro de 2018. A norma determinava que o governo federal regulamentasse o setor em até quatro anos, prazo que expirou durante o governo Bolsonaro sem regulamentação. Em julho de 2023, Lula editou medida provisória sobre o tema, que perdeu validade em novembro. O Congresso acelerou a tramitação do marco legal das apostas esportivas em seguida.
