O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu hoje a nova orientação da política econômica, adotada pela presidente Dilma Rousseff, na qual um ajuste fiscal maior é prometido para permitir a queda dos juros no médio prazo e aumento dos investimentos, sobretudo em infraestrutura. “Há uma coordenação mais fina das políticas monetária e fiscal. Sem muita coordenação (na economia), há certa esquizofrenia do ponto de vista das ações (de governo)”, afirmou, durante evento em São Paulo.

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Segundo ele, existe no governo Dilma “uma articulação entre Fazenda e BC (Banco Central) que antes não havia”. Ele se referiu especialmente às ações adotadas, na primeira semana da nova administração, para conter a valorização do real. O Banco Central anunciou na última quinta-feira o estabelecimento para bancos de um depósito compulsório de 60% sobre o valor das posições vendidas em dólar. E ontem o Diário Oficial da União publicou resolução do Conselho Deliberativo do Fundo Soberano do Brasil (FSB) que permite ao BC atuar no mercado futuro de câmbio a pedido do Tesouro Nacional. Analistas viram a medida como um sinal verde para a retomada de operações de swap cambial reverso.

Normalmente contrário à elevação de juros pelo BC, Pochmann evitou criticas à possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar os juros em sua próxima reunião, nos dias 18 e 19. Para ele, como a economia está bem aquecida, talvez seja necessária a ação do BC para reduzir as pressões inflacionárias. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 5,91% em 2010, a maior marca desde 2004, e superou em 1,41 ponto porcentual a meta de inflação de 4,5% determinada pelo Conselho Monetário Nacional.

Para Pochmann, uma eventual alta da taxa Selic precisa ser avaliada em perspectiva, como uma medida pontual e temporária dentro de uma política econômica de longo prazo.”O patamar que a taxa de juros se encontra é muito desfavorável, pois é um estímulo à entrada de recursos desnecessários, num ambiente especulativo”, disse. Segundo ele, a redução dos juros é essencial para ampliar o nível de investimentos no País, que deve ter atingido cerca de 19% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O Brasil não pode sustentar o crescimento apenas pelo consumo. É preciso ter investimentos”, destacou.

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Pochmann ressaltou que é possível melhorar a eficiência dos gastos públicos. Para ele, uma contrapartida para o cumprimento da meta de superávit primário de 3,1% do PIB neste ano deveria ser a redução com vigor das despesas com o pagamento dos juros da dívida pública. “O Brasil tem condições de melhorar o gasto público. Temos uma série de ineficiências. A principal é o gasto com juros da dívida pública, que está entre 5% e 6% do PIB por ano”, afirmou.