Presidente do BNDES acredita que países desenvolvidos deverão crescer menos

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta segunda-feira (10) que ainda não dá para saber que impacto o problema de crédito gerado nos Estados Unidos terá na atividade econômica mundial, mas ressaltou que deve-se esperar uma redução relativamente significativa no crescimento das economias dos países desenvolvidos. O presidente do BNDES destacou ainda que pela primeira vez, em décadas, a economia brasileira não sente de forma substancial a crise gerada no exterior.

Segundo ele, o sistema bancário brasileiro é saudável e está em fase de expansão por conta da oferta de crédito. Ainda assim, o País pode vir a ser afetado se houver redução no comércio e queda nos preços das commodities. De acordo com Coutinho, a incerteza sobre os efeitos da crise do crédito imobiliário nos EUA deve-se, em boa parte, ao fato de os produtos "serem, supostamente, à prova de risco, avaliação esta feita ou por conivência ou por incompetência de quem classificou o risco". "Talvez essa crise financeira provoque muita desconfiança no sistema de crédito nos países desenvolvidos", reiterou.

O presidente do BNDES afirmou ainda que o sistema bancário não sabe quais bancos estão sendo afetados pela crise das hipotecas e não sabe precificar o tamanho do prejuízo porque foram operações sofisticadas de securitização. "Mas essa situação não impede que a China continue crescendo fortemente, assim como parte da Europa. E mesmo nos Estados Unidos pode não haver recessão porque, provavelmente, o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) reduzirá juros. Ainda há muita água para rolar" observou Coutinho.

Ele destacou ainda estar convencido de que a economia brasileira tem um grau de autonomia e oportunidade de investimentos rentáveis em infra-estrutura, construção civil e na recuperação das atividades do agronegócio. "Esse conjunto nos dá tranqüilidade a respeito do crescimento robusto da economia brasileira nos próximos anos".

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