O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, disse na tarde desta quarta-feira, 28, que o setor deve ter mais um ano com recuo no faturamento. “Somos obrigados a ser pessimistas, vai haver uma nova queda de faturamento em 2015 e será a 4ª seguida”, afirmou, em coletiva de imprensa, para comentar os resultados de 2014. Pastoriza preferiu não fazer estimativas para o volume faturado este ano.

A indústria de máquinas e equipamentos fechou 2014 com faturamento bruto real de R$ 71,19 bilhões, queda de 13,7% ante 2013. De acordo com a entidade, no período de 2012-2014, o setor já acumula queda superior a 20% no faturamento.

O executivo criticou as medidas de ajuste econômicos feitas pela nova equipe da presidente Dilma Rousseff e afirmou que o governo está optando pelo lado “mais fácil” que é o de aumentar impostos. “Onde estão as reformas que já discutimos há muito tempo, que enxuguem os custos sem afetar a competitividade?”, questionou.

Segundo ele, além do “pacote de maldades” que o governo está adotando é preciso paralelamente adotar um “pacote de bondades” que devolva a competitividade ao País. Pastoriza destacou, entretanto, que é preciso que as medidas sejam estruturantes. “De pacote a base de medidas pontuais e paliativas nós já estamos cansados”, afirmou.

O presidente da Abimaq disse que o setor chegou a agradecer medidas como o Reintegra e a desoneração da folha de pagamento, mas que elas são pontuais e “não chegam a uma pequena fração do custo que temos que enfrentar”.

Plano de exportações

Pastoriza foi cético em relação à possibilidade de um pacote de apoio às exportações, que a presidente Dilma e o ministro do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, pretendem anunciar. “Hoje tivemos um evento com um representante do MDIC e falaram da importância de exportar, mas o único pacote que o Brasil precisa hoje para ser eficaz é um pacote que diminuísse o custo Brasil”, disse.

Pastoriza afirmou que já teve uma reunião com o ministro de Planejamento, Nelson Barbosa, e que a entidade já solicitou uma audiência com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Temos uma boa relação com o Barbosa, mas claramente ele não nos deu esperanças de conseguirmos coisas no curto prazo”, afirmou. “A gente percebe o clima em Brasília: o pessoal não está muito sintonizado.”

Nesta quinta-feira, representantes da Abimaq terão audiência com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para tratar da redução do porcentual de bens financiados pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Na sexta-feira, haverá um encontro com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para tratar o tema. “Na nossa visão estão cortando do lado errado”, disse Pastoriza.