Os participantes da reunião de política monetária do Federal Reserve realizada em 16 e 17 de setembro decidiram não elevar as taxas de juro de curto prazo por causa de preocupações persistentes sobre quando a inflação, que está abaixo da meta do Fed há mais de três anos, subirá para 2%. É o que diz a ata da reunião, divulgada há pouco.

O Fed havia sinalizado antes da reunião que poderia elevar nela as taxas de juro de curto prazo, que estão próximas de zero desde 2008. Mas os participantes da reunião concluíram que embora a meta de “pleno emprego” estivesse perto de ser atingida, eles não estavam convencidos sobre a trajetória da inflação. A ata sugere que a decisão sobre quando começar a apertar a política monetária dependerá de os dirigentes do Fed ganharem mais confiança de que a inflação não continuará abaixo da meta.

“Muitos membros disseram que a melhora nas condições do mercado de mão de obra já cumpriram ou cumpririam logo os critérios [do Fed] para começar a normalização da política. Mas alguns deles indicaram que sua confiança em que a inflação subiria gradualmente para a meta de 2% no médio prazo não cresceu”, diz a ata.

O Fed agora está diante de um desafio adicional: os indicadores de emprego que saíram depois da reunião mostraram desaceleração na geração de postos de trabalho em agosto e em setembro, o que traz novas incertezas sobre se a economia dos EUA está desacelerando num ambiente de debilidade global e de alta do dólar, que tem prejudicado as exportações norte-americanas.

Como disse a presidente do Fed, Janet Yellen, na entrevista coletiva concedida ao fim da reunião, a turbulência nos mercados financeiros e a debilidade de outros países pesaram bastante na decisão de manter as taxas de juro inalteradas. Segundo a ata, os participantes da reunião mostraram a preocupação de que “os recentes acontecimentos globais, econômicos e financeiros, impuseram alguma restrição à perspectiva da economia e colocaram uma pressão baixista adicional sobre a inflação no curto prazo”.

Nas projeções divulgadas junto com o comunicado da reunião, 13 dos 17 participantes disseram ter a expectativa de que as taxas de juro fossem elevadas neste ano. Na coletiva, Yellen enfatizou que estava nesse grupo. Segundo a ata, “depois de avaliarem a perspectiva para a atividade econômica, o mercado de mão de obra e a inflação e de pesarem as incertezas associadas à perspectiva, todos os membros, exceto um, concluíram que embora a economia dos EUA tenha se fortalecido e a capacidade ociosa no mercado de mão de obra tenha diminuído, as condições econômicas não justificavam uma elevação na meta da taxa dos Federal Funds nesta reunião”. Fonte: Dow Jones Newswires.