Preços monitorados sobem mais que inflação

Gasolina e gás de cozinha foram os principais responsáveis, em outubro, pelo aumento das tarifas públicas (preços monitorados), em Curitiba. A variação na comparação com setembro foi de 0,63%, segundo estudo apresentado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A família curitibana teve um gasto de R$ 459,37 com estes serviços em outubro, contra R$ 456,49 do mês passado. A previsão é de que para novembro os preços subam ainda mais, elevando a “cesta” para R$ 461,96, um reajuste de 0,56%.

Em outubro, os preços administrados subiram mais do que a inflação, em Curitiba. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 0,48%, a terceira maior variação entre as capitais pesquisadas pelo IBGE. No acumulado do ano já são 8,08% do IPCA contra 12,29% dos índices públicos. No Brasil, o IPCA foi de 0,44% sendo que a gasolina e o álcool foram responsáveis por um quarto deste aumento.

Dos itens que compõem as tarifas públicas, a gasolina foi a principal vilã em Curitiba. Subiu 3,53%. Mesmo assim, a cidade ainda ficou em uma posição confortável se comparada com outras capitais. Foi a terceira com os preços médios mais baixos entre as que foram pesquisadas: R$ 2,085 o litro. Se comparado com a Região Metropolitana, Curitiba também ficou em terceiro lugar. A cidade com o preço médio mais em conta é Colombo, com R$ 2,069, seguida de Araucária com R$ 2,075. São José dos Pinhais se equipara à capital, com 2,085.

Em outubro, a margem de lucro dos donos de postos também aumentou em relação a gasolina. Passou de R$ 0,17 para R$ 0,19. Já o gás de cozinha subiu 0,14% devido às condições de mercado.

Novembro

Em novembro, segundo projeção feita pelo Dieese, a família curitibana deve ter um gasto de R$ 461,96. Enquanto a luz contribui para baixar estes valores com a redução do seguro apagão, a gasolina, o telefone e o gás de cozinha devem puxar a inflação para cima.

A telefonia fixa vai aumentar 3,60% referente à decisão judicial de voltar o IGP-DI como indexador. O índice foi parcelado em duas prestações: uma ocorreu em setembro e a outra ficou para novembro.

Já a gasolina deve ter um aumento de 0,43% devido à elevação do preço do álcool. No último mês subiu de R$ 1,2100 o litro para R$ 1.3200, o que dá um ajuste de 9,23%. Mas pela avaliação do economista Sandro Silva, o aumento pode ser maior ainda. O índice foi calculado com base na primeira semana de novembro, mas os postos de combustível continuam subindo o preço do combustível.

A previsão é que o gás de cozinha se eleve em 0,51%. Mas o sindicato das distribuidoras de gás está divulgando que haverá reajuste no setor, e os valores podem subir ainda mais. “Se as previsões se confirmarem, pode chegar a 1% o aumento das tarifas públicas em Curitiba”, comenta Sandro.

IPCA supera meta prevista para o ano

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) avançou para 0,44% em outubro, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O avanço interrompeu uma trajetória de desaceleração de dois meses seguidos. Em setembro, os preços haviam subido 0,33% e em agosto, 0,69%. O resultado de outubro ficou dentro das expectativas do mercado. De acordo com a última pesquisa Focus, analistas apostavam numa alta de 0,45%.

Entretanto, nos dez primeiros meses deste ano, o IPCA já atingiu 5,95% e superou o centro da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central para 2004, de 5,5%. Porém, o BC também estipulou uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Para manter-se dentro da meta prevista para este ano e controlar o avanço da inflação, o BC tem lançado mão de novos aumentos dos juros. Desde setembro, a taxa já subiu 0,75 ponto percentual e passou de 16% para 16,75% ao ano.

O IPCA baliza as metas de inflação estabelecidas pelo Banco Central. A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) para decidir sobre a taxa de juros está marcada para a semana que vem. O mercado espera novo aumento de 0,5 ponto percentual, para 17,25%.

Os índices de inflação têm apresentado comportamento divergente. O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) caiu praticamente pela metade e ficou em 0,39% em outubro, o menor patamar em um ano. Já o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) avançou para 0,53%. O IPCA-15, considerado uma prévia do IPCA, desacelerou para 0,32% em outubro, a menor variação registrada desde abril deste ano, quando a taxa ficou em 0,21%.

IPCA

A gasolina ficou 1,45% mais cara (em média) em outubro devido ao reajuste anunciado pela Petrobras no último dia 14. O álcool teve reajuste médio na bomba de 5,31%. Os dois combustíveis, juntos, tiveram o maior impacto sobre o IPCA, de 0,11 ponto percentual.

Das 11 regiões metropolitanas que fazem parte da pesquisa, o maior índice do IPCA em outubro foi verificado em Goiânia (1,08%), devido ao reajuste de 20% da energia elétrica. Já a menor variação ocorreu no Recife (0,09%). São Paulo e Rio de Janeiro tiveram alta de 0,58% e 0,25%, respectivamente.

O levantamento do IBGE é realizado em São Paulo, Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Brasília, Goiânia, Fortaleza e Belém. O índice se refere a preços de produtos e serviços consumidos por família com rendimento de 1 a 40 salários mínimos.

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