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Economia

Preços administrados tiveram alta de 4,62%

  • Por Olavo Pesch
Gasolina e gás (junto com transporte
coletivo) puxaram a alta do índice.

Os preços administrados tiveram variação de 4,62% em Curitiba, no mês de fevereiro, bem acima da inflação de 1,54% medida pelo IPCA. No primeiro bimestre do ano, as tarifas públicas acumulam alta de 6,99%, enquanto o custo de vida subiu 3,52% na capital paranaense. Nos últimos doze meses, os preços monitorados pelo governo aumentaram 23,82% – ante inflação de 15,53%. Os dados são do estudo mensal divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e Senge/PR (Sindicato dos Engenheiros do Paraná).

De acordo com o levantamento, o custo da “cesta” de serviços públicos para uma família curitibana passou de R$ 387,52, em janeiro, para R$ 405,55. A variação de 4,62% foi a segunda maior desde o início da pesquisa, em janeiro de 2002, perdendo apenas para novembro de 2002 (4,79%). A elevação do mês passado foi influenciada pelo aumento de 13,33% na tarifa de transporte coletivo (de R$ 1,50 para R$ 1,70), 5,80% na gasolina, 14,69% no álcool combustível e reajustes na telefonia celular (6,45% na mensalidade, 6,00% no minuto e 8,79% no plano pré-pago).

“O cenário macroeconômico do mês passado foi afetado pela perspectiva de guerra, alta da taxa de juros e câmbio valorizado”, resumiu o presidente do Senge/PR, Eroni Bertoglio, ressaltando que os preços administrados representam 30% do orçamento familiar. Entre as dezesseis capitais pesquisadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), Curitiba apresentou a terceira maior alta da gasolina, mas o valor médio por litro foi o nono maior do País (R$ 2,19). Já o litro do álcool saltou de R$ 1,273 em janeiro para R$ 1,460. Nos últimos doze meses, o diesel acumula a maior variação entre os preços administrados (74,65%), seguido do álcool (60,62%) e da gasolina (50,52%).

A única queda de preços em fevereiro foi verificada no gás de cozinha. Segundo dados da ANP, Curitiba apresentou a maior redução no preço médio do bujão de 13 quilos entre as capitais pesquisadas (-10,64%). O valor médio caiu de R$ 26,03 para R$ 23,26, com os preços variando entre R$ 17,80 e R$ 34,50.

Estabilidade

Depois da forte alta dos preços públicos em fevereiro, os técnicos do Dieese projetam estabilidade ou deflação dos preços administrados neste mês. “A variação de março dependerá do comportamento do preço do gás e dos combustíveis”, indica o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese. Na primeira quinzena, o preço da gasolina caiu 5,75% por causa das promoções dos postos. Só que muitos estabelecimentos já retiraram os descontos, voltando a vender o litro entre R$ 2,08 e R$ 2,09. “Se a guerra for rápida, a expectativa é de queda no preço do petróleo, mas se o barril ficar acima de U$ 24 e dependendo do câmbio, ainda há uma defasagem que a Petrobras deve repassar, mas não acredito que isso ocorra em março”, considera Cordeiro.

Na avaliação dele, o governo deve enfrentar o melhor cenário de inflação no próximo trimestre. “Os preços administrados estarão pressionando pouco e com a entrada da safra, os preços dos alimentos devem cair”, diz. “Só que a expectativa de queda da inflação é muito mais fruto de fatores sazonais do que da política monetária do Banco Central. Mesmo assim, dificilmente o governo atingirá a meta de inflação de 8,5%”, opina.

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