Rio (AE) – Pressionado pelo aumento no preço dos remédios (2,45%), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) subiu 0,27% em maio, ante 0,17% em abril. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem o indicador, a inflação em maio também foi influenciada pela alta no preço da gasolina (1,02%). Mas para economistas, o resultado de maio não é preocupante e reflete altas passageiras de preços.

O IPCA-15 é calculado com a mesma metodologia do IPCA, índice de referência para as metas de inflação do governo – a única diferença é o período de coleta. Enquanto o índice divulgado hoje foi calculado com base nos preços entre os dias 12 de abril a 15 de maio, o IPCA abrange o mês cheio.

Segundo o economista do Ibmec e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central (BC) Carlos Thadeu de Freitas, o mercado já esperava o impacto da alta de preços administrados, como medicamentos, no indicador de maio. ?Essas altas são pontuais e vão passar, diferente do que ocorre com os preços livres, que representam 70% do IPCA-15?, disse o economista, acrescentando que os preços livres ficaram comportados em maio. É o caso dos alimentos, que subiram apenas 0,06%, perto da estabilidade.

Para Freitas, não há pressões inflacionárias no momento, e o cenário da inflação é ?altamente positivo? este ano. O economista estima que o IPCA de maio deve fechar o mês com taxa entre 0,20% a 0,21%, bem próximo ao registrado em abril (0,21%). Para o ano, o indicador deve subir 4% em 2006. ?A não ser que ocorra uma nova escalada na taxa de juros americanas, o que eu não acredito?, disse.

A perspectiva de alta nos juros americanos provocou nervosismo do mercado financeiro essa semana, e essa agitação refletiu-se no dólar, que ficou valorizado ante o real. Embora tenha concordado com Freitas de que a aceleração da inflação medida pelo IPCA-15 em maio não é preocupante, o professor da PUC-RJ, Luiz Roberto Cunha, alertou para o impacto futuro do cenário externo na inflação brasileira. Para ele, a atual volatilidade nos mercados globais pode contribuir para puxar o dólar para cima – o que pode influenciar, de forma significativa, o cenário da inflação no Brasil, visto que há preços diretamente ligados à cotação da moeda americana. Para maio, Cunha projeta um IPCA fechado entre 0,20% a 0,25%. Em 2006, o IPCA deve ficar próximo a 4,5%, de acordo com o professor.