A queda no preço do petróleo e os altos estoques de algodão da China preocupam a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) em relação ao preço da pluma. Segundo técnicos da entidade, esses fatores poderão trazer impactos nas safras futuras do algodão, afetando o custo da produção do setor no longo prazo.

Técnicos explicam que o recuo do preço do petróleo provoca uma queda no valor das fibras sintéticas derivadas da commodity e usadas na fabricação de roupas, pressionando o preço do algodão para baixo. “Como fibra e algodão concorrem como matéria-prima no setor, a fibra mais barata gera uma competição de preços, o que faz com que o produtor venda o algodão a um preço qualquer”, diz um técnico.

Já a China preocupa a associação na medida em que há a possibilidade de o gigante asiático resolver “desovar” os altos estoques de algodão que possui, também provocando uma queda no preço da pluma.

Técnicos da Abit ponderam que essa preocupação é principalmente com a safra 2015/2016, uma vez que a safra 2014/2015 já começa a chegar às fábricas a partir de março deste ano. Segundo eles, atualmente a associação já prevê uma queda de “mais ou menos” 10% da área plantada de algodão na próxima safra.

Técnicos explicam que, caso esses fatores de baixa confirmem a tendência de queda no preço da commodity, produtores de algodão poderão diminuir a produção ou migrar para outras culturas mais rentáveis. Com uma quantidade produzida menor, o preço da pluma poderá subir, aumentando o custo de produção da indústria têxtil.