O preço do gás natural veicular (GNV) foi o que mais subiu entre os combustíveis no varejo este ano. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, o preço do produto, além de ter acelerado no Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) do final de outubro (0,72%), acumula alta de 10 25% de janeiro a outubro.

O aumento acumulado no preço do GNV é superior à elevação, no mesmo período, nos preços de álcool combustível (10,61%) e às quedas apresentadas pela gasolina (-2,03%) e óleo diesel (-0 14%). Para Braz, o aumento mais intenso no preço do item foi causado pela forte procura do produto, no ano. "Mesmo em alta, o GNV continua sendo mais barato que outras opções de combustível de carro, como gasolina", considerou.

O economista comentou sobre a decisão da Petrobras de racionar fornecimento de gás nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (sendo que, no Rio, o fornecimento foi restabelecido via determinação judicial). "Foi muito recente, e durou muito pouco, no caso do Rio. Não há como mensurar a influência do que aconteceu agora, no âmbito preço do produto", disse. Entretanto, ele admitiu que, caso o racionamento permaneça por um tempo maior, e acabe por abranger um número de maior de localidades, pode ocorrer um impacto mais visível no preço do produto, pesquisado pela FGV.

O economista comentou ainda que o GNV tem pouco peso na formação da inflação do varejo, entre os outros combustíveis automotivos. "Gasolina e álcool pesam mais do que ele (o GNV). Esse produto só tem peso maior do que o óleo diesel", disse.