Rio – A ofensiva do governo para conter a alta do preço do gás de botijão (GLP) deve começar a surtir efeito já nesta semana. Na avaliação de representantes dos segmentos de distribuição e revenda, o preço do gás vai cair antes que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) intervenha. Ninguém quis arriscar, porém, qual será o tamanho dessa redução.
“Com o esforço conjunto de distribuidoras, revendedores e Petrobras, vamos reduzir o preço”, disse o superintendente de Relações Institucionais do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), Agostinho Simões. Ele destacou, no entanto, que é necessária também uma colaboração dos Estados, reduzindo o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “O ICMS sobre o gás cresceu 350% nos últimos quatro anos”, afirmou. A exemplo do que ocorre no setor de combustíveis líquidos, o ICMS é cobrado antecipadamente, sobre um valor presumido de venda do produto.
Esse valor, lembra o presidente da Federação Nacional da Revenda de GLP (Fergás), Álvaro Chagas, é maior que o preço de venda, na maioria dos casos. Segundo pesquisa de preços da ANP, os Estados ficam, em média, com R$ 3,59 por botijão vendido no País.
A ANP não quis se manifestar sobre o assunto, mas uma fonte com acesso à direção da agência disse que a ordem é esperar, antes de definir pela intervenção. Há uma expectativa no governo, diz outra fonte, de que o preço caia na maior parte do País, mas seria necessário intervir em alguns mercados com menor competição.
Segundo Agostinho, a Petrobras fara a sua parte ao reduzir a frequência de repasse da variação do câmbio ao preço do produto. “O governo está agindo errado do ponto de vista técnico. Se o problema é reduzir o impacto no consumidor de baixa renda, que se estenda o vale-gás a um maior número de famílias. Segurar os preços cria um mercado artificial e todo mundo perde”, avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).
Pires teme que a intervenção se estenda aos outros combustíveis, como está previsto na resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e reduza o interesse de investidores no mercado de petróleo.