Arquivo / O Estado
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Dúvida sobre se o estoque de gasolina será suficiente para atender a demanda
no país vem impulsionando
o preço do produto.

O preço do petróleo cru chegou a um novo recorde, ontem, atingindo US$ 67,10, maior valor já registrado desde que o barril da commodity passou a ser negociado na Bolsa Mercantil de Nova York. A dúvida dos investidores sobre se o estoque de gasolina será suficiente para atender a alta demanda no país vem impulsionando o preço do produto a patamares cada vez mais altos nas últimas semanas. O barril para entrega em setembro fechou cotado a US$ 66,86, com alta de 1,61%.

A possibilidade de interrupção de trabalhos em refinarias americanas com a passagem da tempestade tropical Irene também reforçou as incertezas sobre o tamanho dos estoques no momento em que a demanda se torna ainda maior em razão das férias de verão. Outra preocupação dos investidores são as tensões no Oriente Médio e a decisão do Irã de retomar a atividade de enriquecimento de urânio e fabricar um arsenal atômico.

Déficit comercial

A alta do preço do petróleo foi um dos principais fatores a aumentar o déficit comercial americano em junho e ajudou a empurrar para baixo a confiança do consumidor americano em agosto.

O avanço da importação de petróleo que atingiu um recorde de US$ 19,9 bilhões naquele mês, representou um aumento de 9,8% sobre o índice apurado em maio. O preço médio do barril do petróleo importado em junho ficou em US$ 44,40, segundo maior preço médio mensal da commodity já registrado, superado apenas pelos US$ 44,76 atingidos em abril.

O déficit comercial dos Estados Unidos registrou alta de 6,1% em junho na comparação com maio, com US$ 58,8 bilhões no mês. O avanço se deve, sobretudo, à alta dos preços do petróleo que pressionaram as importações.

A confiança dos consumidores americanos também caiu afetada pelos altos preços do petróleo, segundo pesquisa realizada pela Universidade de Michigan, divulgada nesta sexta-feira.

O índice de confiança do consumidor apurado pela universidade ficou em 92,7 pontos, abaixo da leitura final de julho, 96,5 pontos. O resultado também foi inferior ao esperado pelos investidores em Wall Street, 96 pontos.

Abaixo do recorde

A produção média de produção de petróleo da Petrobras no país em julho foi de 1,747 milhão de barris por dia. O volume é maior que o registrado em igual período do ano passado (1,521 milhão de barris por dia) em 14,9%, mas é inferior em 0,46% à produção do mês anterior, quando a estatal atingiu o recorde de média mensal de produção com de 1,755 milhão de barris diários.

A produção de gás natural no país também registrou aumento em relação a julho de 2004 e queda na comparação com o mês anterior. A companhia produziu em julho nos campos brasileiros 44,060 milhões de metros cúbicos por dia de gás, que é 2,2% acima do volume extraído em igual mês de 2004 e 2% menor do que a produção de junho deste ano. Grande parte dessa produção de gás natural, no entanto, não vai para o mercado consumidor, porque é reinjetada nos poços, queimada ou ainda utilizada pela própria companhia em seus processos industriais.

A Petrobras bateu ontem, na Bacia de Santos, o recorde nacional da profundidade de perfuração de poços. A perfuração atingiu 6.915 metros de extensão inclinada e 6.407 metros, na vertical, em uma lâmina d?água (distância entre a superfície da água e o fundo do mar) de 2.038 metros, no bloco exploratório BM-S-10, localizado a 200 quilômetros da costa sul da cidade do Rio.