O aumento no preço da nafta no mercado internacional e a maior demanda por papel e celulose foram os fatores que mais influenciaram a alta de 0,31% no Índice de Preços ao Produtor (IPP) de junho, afirmou nesta quarta-feira, 29, Manuel Campos Souza Neto, técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em menor medida, a desvalorização do real ante o dólar também continuou pressionando os preços da indústria de transformação.

Em junho, o maior impacto positivo sobre o IPP veio de outros produtos químicos, com alta de 4,35%. A razão para o aumento foi o custo maior com o principal insumo do setor, a nafta. “A nafta segue os preços internacionais, e os preços internacionais subiram nos últimos três meses”, explicou Souza Neto.

No caso de papel de celulose, o avanço de 2,74% foi puxado pelos preços de cadernos. “Percebemos que nesta época sempre há um aumento relevante nos preços dos cadernos, é sazonal. Isso tem a ver com maior demanda”, disse o técnico.

Além disso, o dólar pressionou mais uma vez os preços da indústria. Em junho, a alta do dólar ante o real foi de 1,63%, apontou Souza Neto. “Alguns setores sofrem influência”, afirmou, citando os outros equipamentos de transporte, em função dos aviões, cotados em dólar.

No longo prazo, esse impacto é ainda maior, diante do avanço de 39,2% no câmbio. Alguns setores chegam a acumular alta de dois dígitos em 12 meses até junho, como outros equipamentos de transporte (27,2%), fumo (25,27%), papel e celulose (21,16%) e madeira (20,09%).