Foto: Orlando Kissner/O Estado

"Guerra" de preços entre distribuidoras é sempre favorável ao consumidor.

No sobe-e-desce dos preços, o litro da gasolina voltou a cair em Curitiba. Desde a última quarta-feira, o produto vem sendo vendido a R$ 2,29 na maioria dos postos da capital – valor quase 15% menor do que o praticado há um mês, quando o litro da gasolina comum chegou a custar R$ 2,67. O presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese, alertou ontem que os preços atuais são artificiais e não devem se sustentar.

De acordo com Fregonese, a queda se deve a dois fatores: a guerra de preços entre distribuidoras e o excesso de produto resultado de sonegação fiscal. ?Para qualquer distribuidora, o litro da gasolina custa R$ 2,19. Há postos trabalhando com R$ 0,04 de margem, outros com R$ 0,08 ou R$ 0,09. É um preço totalmente artificial, que pode ser revertido a qualquer momento?, disse. O fato de ser final de mês também contribui para a redução do preço nas bombas. ?É quando os postos fazem a desova do produto?, explicou.

Segundo Fregonese, também o preço do álcool não deve se sustentar. Em Curitiba, o litro do combustível é vendido a R$ 1,89 em média. ?O preço do litro para o revendedor varia entre R$ 1,87, R$ 1,88. E a grande maioria dos postos está revendendo a R$ 1,89. Ou seja, de duas uma: ou existe dumping (prática de preços abaixo do mercado) ou está havendo sonegação fiscal. Não existe milagre?, ponderou. Fregonese informou, ainda, que há distribuidoras oferecendo o produto sem o selo fiscal e com o selo. A diferença entre um e outro é de R$ 0,06. ?Isso acontece direto. Falta fiscalização!?, reclamou.

Conforme o presidente do Sindicombustíveis-PR, a queda nos preços tanto da gasolina como do álcool não guarda qualquer relação com a antecipação da safra de cana-de-açúcar. Segundo ele, os reflexos do início da safra no preço do álcool ainda são muito pequenos, com impacto de aproximadamente R$ 0,06. ?Isso significa que o litro da gasolina deveria ter caído 1,5 centavo e do álcool, seis centavos, quando na verdade o que houve foi queda de trinta centavos?, apontou.

Disparo

Em Curitiba, o preço dos combustíveis disparou em alguns postos no dia 28 de fevereiro, um dia antes de entrar em vigor a medida federal que reduziu o percentual de álcool na gasolina de 25% para 20%. Em alguns estabelecimentos, o litro da gasolina chegou a custar R$ 2,679, enquanto o álcool, que era revendido a R$ 1,899 saltou para R$ 2,179.

Desde então, os preços vêm caindo gradativamente. Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), na semana de 26 de fevereiro a 4 de março, o preço médio do litro da gasolina comum em Curitiba era R$ 2,555. Na semana seguinte, subiu para R$ 2,579. A partir daí o preço só caiu: passou para R$ 2,533 na semana do dia 12 a 18 de março e para R$ 2,478 na semana passada (19 a 25 de março).

No caso do álcool combustível, a queda também vem se repetindo: na semana do dia 5 a 11 de março, o litro do álcool custava R$ 2,056, em média, em Curitiba. Passou para R$ 2,004 na semana seguinte (12 a 18 de março) e para R$ 1,976 na semana passada (19 a 25 de março).

Com os preços atuais – R$ 2,29 para o litro da gasolina e R$ 1,89 para o álcool -, compensa optar pela gasolina no caso de quem tem carro motor flex fuel. É que o motor a álcool rende 70% menos do que o a gasolina. Ou seja, usando como parâmetro o litro da gasolina a R$ 2,29, compensaria encher o tanque com álcool se o litro custasse menos de R$ 1,60.

Comparação

Conforme levantamento da ANP realizado em 31 municípios do Paraná, a gasolina mais cara na semana passada foi encontrada em Castro, a R$ 2,71, seguida por Paranavaí, com o preço médio a R$ 2,69. Já a mais barata foi encontrada em Curitiba (preço médio a R$ 2,47), seguida por Colombo (R$ 2,48).

Já no caso do álcool combustível, o mais caro foi encontrado também em Castro (R$ 2,23) seguido por Ponta Grossa (R$ 2,19), enquanto o mais barato em Maringá (R$ 1,96), seguido por Curitiba (R$ 1,97). A diferença entre o preço mais alto e o mais baixo chega a 12%.