Uma nova legislação sobre a tributação das remessas de lucros obtidos no exterior por multinacionais brasileiras deve ser enviada ao Congresso em breve. Ainda não foi batido o martelo, mas a proposta mais provável é dar um prazo de oito anos para que as empresas remetam seus lucros para o Brasil e paguem os impostos.

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Hoje a lei estabelece que o ganho das subsidiárias fora do País devem ser remetidos no mesmo ano em que forem apurados. Esse é o principal ponto de discórdia entre as empresas e a Receita. O setor privado alega que a regra é inconstitucional, porque esse lucro só está disponível quando a controlada paga dividendos à controladora. Além disso, parte desse lucro nem chega ao Brasil, porque é reinvestido.

O Ministério da Fazenda está procurando uma solução que acabe com a insegurança jurídica gerada pelas multas e aumente a competitividade das empresas brasileiras no exterior. A ideia de elevar o prazo para as remessas é permitir que as companhias tenham tempo para fazer os investimentos.

O setor privado está dividido sobre a proposta do governo. Para algumas empresas, a proposta é um “caminho intermediário”, que viabiliza seus projetos lá fora. “Se formos insistir em só pagar impostos quando recebermos os dividendos das controladas, não haverá acordo com a Receita”, diz uma fonte.

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Outras companhias acreditam que o projeto de lei é pior do que a legislação atual, porque acaba com as brechas para contestação na Justiça. “A Receita aproveita para legitimar todas as teses que criou”, diz uma fonte.

O assunto está em discussão há mais de um ano entre a Fazenda e as empresas, mas se tornou urgente porque deve ser julgado em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de uma ação movida pela Cooperativa Agropecuária de Campo Mourão (Coamo).

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Considerada uma das mais restritivas do mundo, a atual legislação brasileira foi criada em 2001. Desde então, o investimento das empresas brasileiras no exterior saltou de R$ 2,8 bilhões para R$ 20,7 bilhões em 2012, o que aumenta a relevância do assunto e o tamanho das multas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.