| Aliocha Maurício |
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| Serviço é avaliado em audiência na Assembleia. |
A maioria das pessoas que contrata serviço de internet banda larga, que teoricamente deveria ser rápido, tem ou já teve problemas de conexão, como lentidão ou queda no serviço. As reclamações são frequentes nos órgãos de defesa do consumidor, no boca a boca e nas redes sociais. Em busca de soluções, uma audiência pública foi realizada ontem na Assembleia Legislativa, reunindo Procon-PR, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), empresas prestadoras do serviço e poder público.
O resultado da audiência será o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para que as empresas cumpram regras para melhoria dos serviços em tempo ainda a ser estabelecido. Daqui a um mês, haverá nova reunião entre operadoras e poder público para definir termos e prazos do TAC.
A iniciativa partiu da Comissão de Defesa do Consumidor, presidida pelo deputado estadual Leonaldo Paranhos (PSC). Segundo o parlamentar, a motivação foi a péssima qualidade dos serviços de banda larga. “As operadoras vendem pacotes de 20 megabytes, por exemplo, e não entregam essa velocidade. Em muitos contratos está previsto que podem entregar 10% da velocidade máxima. É como você comprar um quilo de arroz no supermercado e receber 100 gramas”, exemplifica.
Problemas
A advogada do Procon-PR, Cila Santos, relata que, no ano passado, problemas com a internet banda larga ocuparam o quinto lugar entre as reclamações dos usuários. As principais queixas são cobrança indevida, dificuldade no cancelamento do contrato, má qualidade e não fornecimento do serviço.Segundo a Anatel, existem hoje 170 empresas que fornecem banda larga fixa no Paraná. Somente em fevereiro, os canais de reclamação da agência receberam 1.385 reclamações de usuários no Estado. Até junho de 2013, a Anatel irá instalar 216 medidores (quase metade já está em funcionamento) para fazer a avaliação das bandas largas oferecidas pela GVT, Oi, NET e Sercomtel. Os resultados devem ser divulgados até agosto.
CPI não sai do papel
| Aliocha Maurício |
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| Paranhos: parado. |
Em outubro de 2012 foi aprovada pela Assembleia Legislativa a instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a baixa qualidade e a queda no sinal da telefonia do Estado. De acordo com o deputado Leonaldo Paranhos, até agora não houve avanços. Para dar início aos trabalhos, é preciso que sejam indicados os membros integrantes e ainda não há nenhuma reunião marcada.
Falta clareza e problema é crônico
Andressa Jarletti, representante do conselho de usuários da Oi, critica a falta de transparência das operadoras na hora de vender os pacotes. “Na hora que o usuário contrata a operadora, ele não recebe a informação sobre a qualidade do serviço no local onde mora e só percebe quando já está efetivado”, diz. Se a pessoa resolve cancelar por esse motivo, está sujeita a multas por rescisão contratual. “É preciso ter mais clareza e transparência na oferta”, complementa.
O diretor de operações da NET Curitiba, Sandro Mello, afirma que a empresa ficou surpresa ao saber dos problemas crônicos dos serviços de internet rápida. De acordo com ele, a NET entrega exatamente aquilo que o consumidor compra. “Existem vários fatores que interferem na qualidade da internet, como o tipo de equipamento que o cliente usa e os sites que ele acessa”, aponta.
Investimentos
A velocidade média oferecida pela GVT, segundo o diretor de relações institucionais, Affonso Chaves Jr., é de 11,9 megabytes por segundo (mbps), enquanto a média brasileira é de 2,2 mbps. “A GVT vem procurando melhorar a infraestrutura, reduzir a distância entre os cabos para melhorar a qualidade”, ressalta.Já a Oi também informou que está investindo em melhorias no Paraná. Mais de R$ 200 milhões foram investidos no ano passado e R$ 25 milhões em janeiro de 2013, para melhorias e expansão, como instalação de novas antenas.