Representantes de poupadores e bancos voltam a se reunir nesta sexta-feira, 6, em Brasília, para discutir o acordo sobre ressarcimento de perdas ocasionadas pelos planos econômicos das décadas de 1980 e 1990. O ‘Estadão/Broadcast’ apurou com uma fonte que acompanha as negociações que o encontro servirá para discutir o desconto que deve ser aplicado aos montantes a serem ressarcidos aos poupadores. Essa é a fase final das discussões.

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As entidades que defendem os poupadores já apresentaram proposta de desconto, que ficaria entre 15% e 20%, dependendo da categoria em que a ação está enquadrada. Esse parâmetro, apresentado à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na última reunião, em setembro, leva em conta acordos fechados pelos próprios bancos na Justiça nos últimos anos.

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Os bancos vêm fechando acordos isolados com grupos de poupadores. Nesses casos, foram definidos descontos médios de 15% a 20% sobre o montante a ser recebido pelo poupador, conforme o tipo de ação.

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Na visão dos poupadores, não faria sentido, neste momento em que é discutido na Advocacia Geral da União (AGU) um acordo para dar fim a todas as ações que tramitam na Justiça, os bancos defenderem descontos muito maiores do que esses. A avaliação é de que as instituições financeiras, de certa forma, já balizaram os descontos por meio desses acordos isolados.

A fonte afirma ver disposição dos poupadores em fechar um acordo definitivo sobre a questão, com patrocínio da AGU. Segundo ela, apenas se houver um grande descompasso entre as propostas das duas partes o acordo pode emperrar novamente. A Febraban também vai apresentar seus porcentuais hoje.

A reunião na AGU ainda servirá para discutir o parcelamento dos pagamentos. A ideia original é que valores menores sejam pagos com mais rapidez e montantes maiores sejam parcelados. A forma de parcelamento pode influenciar o desconto.

Valor

As partes envolvidas na negociação têm evitado estimar um total para o acordo, justamente porque o valor dependerá do desconto a ser aplicado. No início de setembro, falava-se em algo entre R$ 8 bilhões e R$ 16 bilhões, sendo que uma parcela disso pode começar a ser paga antes mesmo do Natal, o que serviria de estímulo à atividade econômica.

Os bancos, por sua vez, têm afirmado que estão preparados para fazer frente aos pagamentos. A Caixa Econômica Federal – principal instituição a ser atingida pelo acordo – tem R$ 1,4 bilhão provisionado, apurou o Estadão/Broadcast.

Duas pessoas próximas às negociações disseram que há expectativa de que o acordo possa ser finalmente fechado. O caminho ficou aberto após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) encerrar, no fim de setembro, um julgamento a respeito de quem teria direito a receber pelas perdas.

Os bancos vinham argumentando que os poupadores precisariam ser filiados a entidades de defesa na época em que as ações foram propostas. As entidades, por sua vez, defendiam que todos os poupadores que participam de ações têm direito, filiados ou não. O julgamento foi encerrado por um aspecto técnico, o que foi encarado como uma vitória pelos advogados dos poupadores.

Há décadas tramitam na Justiça ações coletivas e individuais que reivindicam o pagamento das perdas referentes aos planos Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e Collor II. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.