O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou hoje que a medida prudencial na área de câmbio anunciada na manhã desta quinta-feira foi adotada diante da avaliação da autoridade monetária de que a posição dos bancos estava “superdimensionada” em relação ao giro do mercado cambial brasileiro, que movimenta cerca de US$ 2 bilhões por dia. “A medida tem por objetivo redimensionar a posição de câmbio vendida dos bancos”, disse Tombini, em sua primeira entrevista coletiva. “Com a medida, essa posição ficará mais em linha com o giro do mercado”, acrescentou, dizendo que a iniciativa foi tomada em diálogo com a equipe econômica, como normalmente o BC faz.

No jargão do mercado financeiro, “estar vendido” sinaliza realização de negócios que exigem a entrega futura de dólar ou pagamento da variação cambial. Na prática, isso representa a aposta dos bancos de que o real vai se valorizar.

Cautela

Tombini também deu uma “palavra de cautela” para o mercado, lembrando que o sistema de câmbio flutuante tem como característica “flutuar para os dois lados”. Segundo ele, não se deve tomar determinados movimentos como permanentes, porque eles podem ser revertidos a qualquer momento. “Os indivíduos, as empresas têm que ter cautela ao assumir compromissos em moeda estrangeira. É importante levar em conta que o câmbio não vai em uma só direção.” Ele afirmou que a situação de elevada liquidez internacional impõe cautela ao cenário econômico.

O presidente do BC avaliou que a ideia da regulação prudencial é a de não provocar distúrbios nas condições de mercado. “Elas vêm para da dar segurança ao mercado”, afirmou. Segundo ele, o prazo de 90 dias dado para a entrada em vigor da medida visa dar mais tempo às instituições impactadas. “Para que elas tenham tempo para ajustar as suas posições, a menos que queiram ter um custo maior. E para isso precisam ter um tempo para que não crie outra sorte de problemas nesse mercado”, disse Tombini, ao justificar porque o BC não adotou a medida imediatamente.

Tombini insistiu que o prazo de 90 dias é um “tempo de ajuste, para que não haja dificuldade na transição para a adoção da medida.

Questionado sobre a política fiscal, Tombini disse que a condução disso cabe ao Ministério da Fazenda e que o BC considera os dados e os compromissos assumidos para definição de seus cenários. Ele afirmou que a política fiscal impacta a demanda e, por isso, é acompanhada pelo BC.

Diálogo

O presidente do Banco Central afirmou ainda hoje que o diálogo entre os integrantes da equipe econômica (dos ministérios da Fazenda e do Planejamento) “existe e é intenso”. Segundo ele, às vezes nesse diálogo existem posições contraditórias, “mas isso faz parte do processo”.

Tombini lembrou que existem “áreas de intersecção”, que marcadamente ocorrem no Conselho Monetário Nacional (CMN). O presidente da autoridade monetária disse considerar “necessário” o diálogo na equipe econômica e ressaltou que ele sempre existirá, “respeitando-se a responsabilidade institucional” de cada uma das partes.