Em pouco menos de um mês, os fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já poderão começar a vistoriar se as empresas estão cumprindo as novas normas do ponto eletrônico.

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Porém, uma resolução publicada esta semana pelo órgão determinou que multas só poderão ser aplicadas, sem notificação anterior às empresas, a partir de 25 de novembro.

Enquanto isso, a correria para adequação às normas continua. Os equipamentos podem custar até R$ 6 mil e ainda são objeto de protestos de empresários. A instituição do novo dispositivo para controle de horários de trabalho – chamado de Registro Eletrônico de Ponto (REP) – aconteceu em agosto do ano passado.

De acordo com a norma, as empresas teriam um ano, ou até 26 de agosto próximo, para instalar o equipamento. Porém, como as normas trabalhistas impõem o critério da dupla visita no período de 90 dias do início da vigência de novas regras, as autuações não podem ocorrer imediatamente a partir desse prazo.

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A advogada Lisiane Mehl Rocha, responsável pelo setor trabalhista do Escritório Augusto Prolik, explica que os fiscais que encontrarem irregularidades precisam, antes, notificar a empresa para que ela se regularize.

“Os fiscais terão que fixar prazo para adaptação. Não podem simplesmente autuar e impor multa”, diz. A autuação só pode ser feita depois que uma segunda vistoria encontre, novamente, a irregularidade.

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As empresas, nesse período, também devem ser informadas com antecedência de que serão fiscalizadas em 30 a 90 dias, a critério do fiscal. Ambas as partes podem, ainda, acertar prazo para adaptação.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, reforçou que nos primeiros 90 dias a ação dos fiscais será educativa: “O prazo poderá ser superior, porque primeiro é preciso que o empregador receba um aviso prévio, informando a data da primeira visita.”

Lupi disse que não falou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a exigência, mas crê que ele seja favorável, pois o objetivo é preservar os direitos dos trabalhadores, como o pagamento de horas extras. Ele diz que o sistema pode diluir o risco de ações trabalhistas.

Reclamação

Ainda assim, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, pediu nesta terça-feira ao presidente Lula o adiamento da entrada em vigência do ponto eletrônico.

Andrade afirmou ter obtido de Lula a garantia de que o governo estudará o pedido e poderá criar, no âmbito da Casa Civil, um grupo de trabalho para avaliar que medida alternativa pode ser adotada.

“Defendemos a suspensão do ponto, que desagrada a empresário e ao trabalhador. O custo para instalação do ponto, da máquina, do software é de R$ 6 bilhões”, disse Andrade.

Ele acredita que filas enormes de trabalhadores serão criadas, e lembra que os funcionários estarão obrigados a guardar, por cinco anos, os comprovantes de entrada, saída e de intervalo do serviço. “É um absurdo do ponto de vista ecológico e burocrático”, completou.

Pela nova regra, só estarão regulares equipamentos já registrados pelo MTE, que devem obedecer uma série de regras. No site www.mte.gov.br/pontoeletronico há uma lista com os modelos permitidos e seus fabricantes.