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Política monetária tenta se desvencilhar do ruído de curto prazo, diz Campos Neto

  • Por Estadão Conteúdo

Questionado sobre a piora do ambiente político recente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, respondeu nesta quinta-feira, 28, que as decisões de política monetária BC tentam se desvencilhar do ruído de curto prazo e procura olhar o horizonte mais longo. “Nesta semana não foi apenas o cenário político que apresentou mudanças, mas também o cenário externo tem apresentado volatilidade. Mas tentamos fazer análises de mais médio e longo prazo”, destacou.

Ele enfatizou que não quis modificar nada na forma como o BC vinha atuando em respeito à decisão de política monetária. “Todo e qualquer tipo de debate ou rito que era adotado (pelo Comitê de Política Monetária) foi feito da mesma forma. Tivemos a preocupação de manter a narrativa anterior e olhar os três fatores determinantes nas decisões anteriores: ociosidade, cenário externo e reformas”, afirmou.

Campos Neto disse que a única mudança do comunicado foi alterar a assimetria do balanço de riscos para simetria e adicionar a mensagem de que o BC não tomará medidas no curto prazo. “Comunicamos que precisamos de mais tempo”, completou.

Balanço de riscos

Questionado se o balanço de riscos do Comitê de Política Monetária (Copom) continua simétrico após a deterioração dos cenários interno e externo na última semana, o presidente do Banco Central repetiu que o BC tenta se abstrair dessa alta frequência do mercado e olhar para horizontes mais longos. “Mas vamos avaliar o cenário e atuar quando for necessário”, garantiu.

Digitalizado

O presidente do BC voltou a dizer que a autoridade monetária precisa estar preparada para lidar com a evolução digital em direção ao chamado “banco do futuro”. “Precisamos pensar como será o mercado financeiro do futuro. Vemos um avanço muito grande da tecnologia e sempre me pergunto se temos um BC que está evoluindo junto com a inovação tecnológica”, afirmou. “Acho que o BC precisa estar mais digitalizado e mais rápido”, completou.

Campos Neto fez questão de esclarecer que a discussão sobre “bancos digitais” não é a mesma coisa que o debate sobre “moedas digitais”.

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