Uma operação conjunta da Polícia Civil, Polícia Militar e de Grupos Especiais de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) dos Ministérios Públicos do Paraná, São Paulo e Minas Gerais prendeu hoje 12 pessoas e cumpriu 32 mandados de busca e apreensão em distribuidoras e postos de combustíveis. Os presos são acusados de crime contra a ordem econômica, pela manipulação de preços, particularmente do álcool, com o objetivo de dominar o mercado. Os nomes das empresas envolvidas e de pessoas presas não foram divulgados.

De acordo com o coordenador do Gaeco do Paraná, procurador Leonir Batisti, investigação desenvolvida inicialmente pela Polícia Civil levantou que 14 distribuidoras de combustíveis do Paraná e São Paulo praticavam a “concorrência predatória” que acabou envolvendo 60 postos de combustíveis. “Basicamente as distribuidoras vendem produto aos postos abaixo do preço de custo e acabam afastando algumas empresas do mercado”, disse Batisti. “Para vender abaixo do preço de custo, elas acabavam deixando de pagar tributos.” Segundo o procurador, isso desestimula quem pretendia agir de forma correta.

O Sindicombustíveis, que representa os revendedores de combustíveis, calcula que a evasão fiscal anual no setor é de aproximadamente R$ 300 milhões no Paraná. Segundo o Ministério Público, em um primeiro momento o menor preço era repassado para o consumidor, mas como alguns postos não suportavam a concorrência, acabavam vendidos para os integrantes do esquema, que passavam a praticar o preço maior. Segundo ele, cerca de 60% dos postos de combustíveis do Paraná participavam da manipulação de preços. Por isso, as investigações continuam e novas prisões podem ser realizadas. Batisti disse que a apreensão de documentos pode levar à descoberta de outros crimes.