Rio – Os mais pobres consumiram menos produtos de consumo de massa no primeiro trimestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, enquanto as compras dos mais ricos cresceram. Esta é uma das principais conclusões do levantamento sobre 66 categorias de produtos de janeiro a março, feito pelo LatinPanel, empresa do Grupo Ibope em associação com parceiros internacionais.

A pesquisa entrevista cerca de 25 mil famílias a cada mês em municípios com mais de 10 mil habitantes sobre o consumo de alimentos, bebidas não-alcoólicas, higiene pessoal e limpeza do lar. Segundo o levantamento, o volume médio de compras por domicílio encolheu 1% no trimestre. Nas classes D e E (até 4 salários mínimos) a queda foi de 2%. Para as classes A e B (acima de 10 salários) houve ligeiro crescimento (1%) e para a C (de 4 a 10 salários), estagnação.

“O volume médio de compras não cresceu no geral e o valor caiu em termos reais (descontada a inflação). Foi um cenário para este começo de ano negativo para os produtos de consumo”, afirma a diretora comercial do LatinPanel, Ana Cláudia Fioratti. A especialista explica que alguns segmentos apresentaram variações positivas, mas foram “pontuais”.

A dona de casa Severina Maria da Silva, 55 anos (renda familiar de R$ 900 mensais), diz que está comprando bem menos do que há três anos, porque “está tudo muito caro” e conta que este ano a situação não melhorou. A variação de consumo captada pelo LatinPanel reflete a rotina de Severina. Na média, a maior queda geral ficou por conta dos alimentos (3%), seguido por higiene pessoal (1%). No grupo de limpeza caseira não houve alteração e no de bebidas não-alcoólicas subiu 3%. Os dados mostram que, ao contrário da média geral, o segmento de higiene pessoal cresceu nas classes A e B.