Economia

Plano Safra 2026/2027 tem recursos abaixo do pedido pelo agronegócio

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027 com R$ 610 bilhões em recursos, sendo R$ 525,1 bilhões para agricultura empresarial e R$ 84,9 bilhões para pequenos produtores. O valor ficou abaixo do pedido de entidades do setor, que defendiam orçamento de até R$ 670 bilhões. As informações são da Gazeta do Povo.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), junto com a Ocepar, a Secretaria Estadual da Agricultura e a Fetaep, havia encaminhado ao Ministério da Agricultura proposta de R$ 670 bilhões. O aumento anunciado pelo governo não cobriu a inflação do período, segundo representantes do agronegócio.

“De nada adianta divulgar um Plano Safra com valor recorde se não há mecanismos para que isso se transforme em investimentos no campo”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. Nas linhas de custeio, os juros para grandes produtores ficaram em 12,5% ao ano e para médios produtores em 9% ao ano. A Faep defendia juros máximos de 10,5% e 7%, respectivamente.

Recursos para custeio caem 7,18% em relação ao ciclo anterior

Os recursos destinados a custeio e comercialização caíram de R$ 414,7 bilhões no Plano Safra 2025/2026 para R$ 384,9 bilhões na atual edição, recuo de 7,18%. A queda pode afetar a produção de alimentos já nesta temporada, alerta a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

O volume equalizado, que conta com participação do Tesouro Nacional para reduzir juros, teve redução de 14,7%. Caiu de R$ 113,8 bilhões na safra passada para R$ 97 bilhões na atual. Isso significa que o acesso ao crédito rural fica mais limitado, com substituição de linhas com juros subvencionados por outras com custo mais elevado.

Governo incluiu recursos de outras fontes no cálculo do programa

O governo ampliou o volume anunciado ao incluir recursos de fontes que não eram consideradas nos cálculos anteriores do Plano Safra. Dos R$ 140,2 bilhões anunciados para investimento, R$ 10 bilhões vieram do Move Agricultura e R$ 28,5 bilhões do Ecoinvest Brasil, mecanismo criado no ano passado para recuperação de pastagens.

Sem esses valores, o volume real do Plano Safra empresarial cairia para R$ 486,6 bilhões, redução de 5,7% em relação ao ciclo anterior. Considerando a inflação acumulada de cerca de 4,4%, o plano representa contração de aproximadamente R$ 13,6 bilhões em termos reais, segundo o presidente da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber.

Cerca de R$ 194 bilhões do Plano Safra empresarial correspondem a recursos de CPRs (Cédulas de Produto Rural). A inclusão dessas operações passou a ser feita no anúncio do ano passado e se justifica porque a principal fonte são as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que têm isenção fiscal.

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