O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, afirmou nesta segunda-feira, 02, durante palestra promovida pela FecomercioSP, que trabalha com “ampla participação do setor privado” no Plano Nacional de Exportações e que ele será lançado no início de março. No início do ano, o ministro afirmou que pretendia lançar o plano em fevereiro.

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Citando as dificuldades econômicas que serão enfrentadas em 2015 e afirmando que os ajustes fiscais que estão sendo feitos pelo governo são necessários, o ministro disse que o Brasil precisa ter uma política comercial “mais ativa e pragmática” e afirmou que as exportações serão colocadas no foco das atenções comerciais brasileiras. “As exportações podem ajudar na recuperação da economia”, afirmou a uma plateia de cerca de 70 empresários.

O ministro afirmou que trabalhará para ser uma espécie de “modulador” entre as demandas do setor privado e o governo. “Nosso ministério é uma plataforma de interlocução com o setor privado”.

“Ao mesmo tempo em que reconhecemos que o ajuste fiscal no Brasil é imperativo e impõe restrições, temos que encontrar espaço para algumas políticas que possam de alguma maneira garantir o nível de atividade, sobretudo setores mais expostos a concorrência externa”, afirmou.

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Monteiro destacou que a Pasta terá que ser “solidária” com as medidas de ajustes, mas que elas “não podem também ter efeitos paralisante” sobre agendas de reformas que se destinam a melhorar empresas e retomar investimentos a médio prazo.

Segundo o ministro, o Brasil carece de reformas que infelizmente não se completaram nos últimos anos e o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff “se reinaugura com a necessidade de produzirmos o reequilíbrio macroeconômico”. “Sem os ajustes o Brasil não vai retomar ciclo de crescimento. Se medidas não forem adotadas os custos serão muito maiores para sociedade brasileira”, afirmou.

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Além das grandes reformas, Monteiro afirmou que trabalhará para “enfrentar a agenda microeconômica”, com melhoria do ambiente regulatório e tributário. Ele reforçou que vai trabalhar para que o impacto das medidas possa ser amortecido.

Monteiro disse ainda que o Brasil ensaia há um longo tempo uma agenda de reforma estrutural e que tem uma agenda inconclusa de reformas.

Citando o crescimento mundial e da China na última década, o ministro afirmou que nos últimos anos o Brasil se beneficiou do ciclo de preços em alta de commodities, mas em 2014 experimentou um déficit importante por conta do processo de queda desses preços.

“Nos últimos anos, o Brasil teve resultados favoráveis nos termos de troca acumulando reservas e superávits, mas isso de fato não resultou em ganhos e conduziu o País a uma certa acomodação no enfrentamento da agenda de reformas”, avaliou.

Monteiro disse ainda que as ligações entre Brasil e Estados Unidos precisam ser colocada no centro das relações comerciais, mas ponderou que isso não significa desprezar o Mercosul.

Segundo o ministro, é preciso desenvolver ações na área de inteligência comercial e que mecanismos de financiamento de seguro e garantia podem ser reforçados “para que Brasil desenvolva uma política exportadora mais agressiva”, afirmou, citando o Programa de Financiamento às Exportações, o Proex. “É possível trabalhar ampliando o Proex”, disse, sem dar mais detalhes.

ICMS

Monteiro afirmou também que em algumas áreas não há uma padrão de gestão que nos garanta uma eficiência e que o avanço da agenda federativa no Congresso “tem sido muito difícil”. Ele deu como exemplo o debate de unificação do ICMS.

“Sempre que vamos discutir o ICMS esbarramos na questão da competência dos Estados e aí há dificuldade imensa de consenso sobre a necessidade urgente de promover mudanças”, afirmou. Monteiro disse ainda que ter 27 legislações distintas “é manicômio tributário”.

Varejo

Presente na reunião, a empresária e dona da rede de lojas Magazine Luiza, Luiza Trajano, fez um breve comentário em que pediu uma atenção especial ao Varejo, destacando que o segmento vive de emprego e renda. “Estamos dispostos a ajudar a desburocratizar o país. Não esqueça do varejo mesmo”, pediu.