O plano do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para limpar os ativos tóxicos do balanço dos bancos vai encorajar os investidores privados a comprar empréstimos com pagamento inicial de apenas 3%. O restante será financiado com recursos do contribuinte e empréstimos do governo norte-americano. Os detalhes do plano refletem como a alavancagem, ou a quantia que investidores podem tomar emprestado da Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC, na sigla em inglês), será usada para reviver os mercados de crédito e absorver bilhões em ativos problemáticos.

A meta é resolver um dos problemas-chave dos mercados de hipotecas: falta de informação sobre o valor dos ativos na carteira dos bancos. Se o governo dos EUA comprasse os ativos diretamente, não teria como saber se pagou um valor justo. Isso poderia expor os contribuintes a todo o risco no caso de o governo ter pago um preço inflado pelos ativos bancários.

Dentro de um dos programas anunciados nesta segunda-feira (23), investidores privados se juntariam ao governo dos EUA na compra desses ativos, por meio de empréstimos de baixo custo do governo que efetivamente permitiriam aos investidores privados tomar emprestado até US$ 6 para cada US$ 1 investido.

Os bancos abordariam a FDIC com uma série de empréstimos antigos que gostariam de vender. Nesse meio tempo, o governo formaria parcerias privadas com investidores, sendo que cada parceria Público-Privada teria o potencial de fechar acordos múltiplos. O Tesouro dos EUA contribuiria com 50% a 80% dos recursos que cada parceria usaria como pagamento inicial para comprar os empréstimos antigos. O restante do valor de compra viria de empréstimos oferecidos pela FDIC, com o governo e o investidor privado autorizados a tomar o empréstimo.

 

Se o Tesouro norte-americano investisse US$ 80 e o investidor privado colocasse US$ 20, outros US$ 600 poderiam vir na forma de empréstimos da FDIC. Se o investimento total fosse eliminado, os contribuintes perderiam 97% do investido, enquanto o investidor privado perderia o pagamento inicial de 3%.

Entretanto, os investidores teriam um incentivo para evitar esse cenário, uma vez que os recursos deles seriam eliminados junto com o dos contribuintes. Os contribuintes também podem lucrar junto com os investidores privados, se as decisões de compra se mostrarem inteligentes.

“Quando o governo oferece a maior parte do investimento, o que importa na perspectiva do investidor privado é a alavancagem de 6 para 1”, disse uma autoridade do Tesouro. “Tudo que determina o incentivo do investidor privado é a alavancagem que ele terá acesso.”

Separadamente, o Tesouro planeja expandir o Programa de Crédito a Termo de Títulos Lastreados em Ativos (Talf, na sigla em inglês). O programa foi originalmente criado para comprar títulos recém-emitidos lastreados em empréstimos a consumidores e pequenas empresas. Dentro do novo plano, o Talf poderia absorver empréstimos mais antigos. As informações são da Dow Jones.