O auxiliar de serviços Alcir Takada quer readequar o orçamento familiar para deixar de gastar mais do que ganha todo mês. Ele não quer mais recorrer ao limite do cheque especial. “Acaba gastando mais do que recebe e fica o tempo todo no vermelho. Quero acabar com isto”, comenta.
| Daniel Caron/O Estado |
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| O auxiliar de serviços Alcir Takada quer readequar todo o seu orçamento familiar. |
O mesmo acontece com a dona de casa Vanessa Roseno. Ela deseja orientações profissionais para fazer a reestruturação das finanças familiares. “Nós temos condições de fazer isto, mas faltavam mesmo dicas boas. Estava tentando no bate-papo com os amigos. Neste processo, estou prestando mais atenção ao comprar. Não somente quanto às parcelas ou taxas de juros. Mas se realmente eu preciso comprar aquilo”, afirma.
| Daniel Caron/O Estado |
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| Carlos Magno, conselheiro do Corecon-PR presta informações para Vanessa Roseno: “planejamento”. |
Cada vez mais a população tenta restabelecer o equilíbrio das finanças pessoais e parar de aumentar ainda mais o “rombo” ou comprometer a renda com juros e outras cobranças por dívidas que vão se acumulando. “O limite do cheque especial é uma situação complicada. Não é dinheiro nosso. E é um dinheiro caro. O cartão de crédito também é um problema muito grande. As pessoas vão pagamento apenas o mínimo das faturas e não dá para fazer isto. Cheque especial e cartão de crédito são os dois grandes vilões”, considera Carlos Magno Andrioli Bittencourt, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR).
Tanto Alcir quanto Vanessa conversaram com Magno durante o Entenda Economia, evento realizado pela entidade nesta sexta-feira (12) na Boca Maldita, centro de Curitiba. Os dois conseguiram as dicas que tanto precisavam para efetivamente sair do vermelho. Além de levar conhecimentos e tirar as dúvidas da população, a ação pretende comemorar os 60 anos da lei que regulamentou a profissão de economista.
Planejamento é essencial
É essencial fazer um planejamento financeiro mês a mês e anotar todos os gastos em uma planilha. Até mesmo a compra de uma simples bala. Somente assim é possível tomar conhecimento completo dos gastos, que são variáveis e podem pregar uma peça a todo instante. “Muitas pessoas só sabem uma coisa: quanto recebem de salário, que é um valor fixo. Tem gente que vê o que vai pagar com o cartão de crédito somente quando chega a fatura”, revela Magno.
Ele lembra que o crédito deve ser conquistado conscientemente. Não dá para aceitar vários cartões de crédito e não dar conta disto. “Se não tiver cuidado, a pessoa corre o risco de ver os rendimentos, conquistados duramente no dia-a-dia, escoarem pelo ralo com as cobranças de taxas e os juros”, assegura.
Se alguém já tiver endividado, o melhor é procurar a instituição financeira e negociar. Deixar a dívida rolar é ainda pior, com o risco no nome ficar sujo na praça. Caso a negociação tenha saído, o reequilíbrio só virá se a pessoa tomar uma série de medidas, para não cometer o mesmo erro.
Aplicação do dinheiro
Os conselheiros do Corecon-PR também orientaram a população sobre financiamentos de bens e qual é a melhor forma de aplicar o dinheiro que está guardado. Sobre a compra da tão sonhada casa própria, Magno lembra que os preços dos imóveis sofreram um aumento em Curitiba em virtude da grande demanda e, por isto, é preciso estudar qual a melhor forma de fazer a aquisição.
“O consórcio tem a vantagem de ser isento da taxa de juros. Mas só vale se a pessoa for sorteada logo no início. Senão, tem que pagar aluguel e a parcela do consórcio. A vantagem do financiamento é ter o imóvel logo e sair do aluguel. Mas é preciso ver bem a taxa de juros”, aconselha.
Como lidar com as dívidas:
ERROS
- Usar um cartão de crédito para pagar outro
- Pagar somente o valor mínimo do cartão de crédito
- Desconhecer o valor total de sua dívida
- Pagar frequentemente as contas com atraso
- Usar os cartões de crédito para comprar produtos sem saber se terá o dinheiro para saldar a fatura na data do vencimento
SOLUÇÕES
- Fazer uma ampla avaliação da situação financeira
- Definir as prioridades nos pagamentos das dívidas e tentar negociações com credores, como alongar o prazo de pagamento
- Estabelecer um plano para quitar todas as dívidas. Deve ser avaliada a real condição de honrar os acordos. Caso contrário, o problema será apenas adiado, e não resolvido
Dicas para reduzir as despesas e economizar
- Compre à vista
- Sempre pesquise preços
- Controle o impulso de comprar
- Acabar com o conceito de que o mais caro é melhor
- Reduzir gastos desnecessários, especialmente com serviços ou bens de luxo
- Procurar atividades de lazer que não tragam custos elevados
- Antecipe os presentes em datas comemorativas caso apareçam oportunidades
- Pesquisar prestadores de serviços, como telefone, internet, seguros.
- Cuidar com os desperdícios com energia elétrica e água
Fonte: Cartilha Entenda de Economia do Corecon-PR




