A Polícia Federal prendeu Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), na noite de quarta-feira (12). Ele é investigado por participação em um esquema bilionário de descontos ilegais nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Lopes estava foragido desde novembro de 2024, quando a Justiça expediu um mandado de prisão contra ele. As informações são da Gazeta do Povo.

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O dirigente se apresentou voluntariamente na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal e foi encaminhado ao sistema prisional. Ele foi indiciado no mês passado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. A investigação aponta que a Conafer usava dados de segurados do INSS para criar documentos falsos de filiação e realizar cobranças mensais não autorizadas, que variavam entre R$ 30 e R$ 80.

Conafer desviou mais de R$ 640 milhões do INSS

A arrecadação da Conafer saltou de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 708 milhões recebidos de forma irregular do INSS, segundo a perícia da Polícia Federal. Desse total, pelo menos R$ 640 milhões foram desviados para contas de empresas de fachada e operadores financeiros controlados pela organização. O esquema funcionava por meio de supostas autorizações obtidas sob pretexto de atualização cadastral ou com assinaturas falsificadas.

As investigações indicam que Lopes articulava com servidores de alto escalão do INSS para influenciar a nomeação de cargos estratégicos que pudessem facilitar ou se omitir diante dos acordos de cooperação das associações. Entre os 48 indiciados na Operação Sem Desconto estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho e o ex-diretor de benefícios André Fidelis.

Esquema roubou R$ 6,3 bilhões de beneficiários

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A Polícia Federal aponta que R$ 6,3 bilhões foram roubados de aposentados e pensionistas através de mensalidades ilegais cobradas como se fossem associados a entidades, embora não tivessem autorizado os descontos. A apuração começou em 2023 pela Controladoria-Geral da União (CGU) e passou para a Polícia Federal em 2024. O governo já devolveu mais de R$ 3,2 bilhões a mais de 4,7 milhões de beneficiários.

O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos envolvendo a fraude do INSS na Corte. A Gazeta do Povo procurou a Conafer para se pronunciar sobre a prisão de Carlos Roberto Ferreira Lopes e aguarda retorno.

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