Economia

PF investiga aplicação de R$ 97 milhões da previdência de Maceió no Master

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A Polícia Federal cumpriu oito mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (10) em Maceió e São Paulo para investigar a aplicação de R$ 97 milhões do fundo de previdência municipal de Maceió no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2024. Os recursos foram investidos em papéis do banco entre 2023 e 2024, segundo a PF. As informações são da Gazeta do Povo.

A operação é um desdobramento da Operação Compliance Zero, que apura a fraude bilionária cometida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro através do Master. A investigação busca esclarecer se houve irregularidades no processo de credenciamento, análise de risco e tomada de decisão que antecederam os investimentos. Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a PF, foram identificadas duas aplicações que teriam ocorrido sem análise de risco adequada e sem observância de mecanismos de governança, o que pode ter causado prejuízo ao fundo. A autoridade investiga a possível prática de gestão fraudulenta e outros delitos conexos. A Gazeta do Povo apurou que foi identificada uma comunicação do Maceió Previdência apontando uma oportunidade de investimento no Master, o que levou o Ministério Público a acionar a PF e a Controladoria-Geral da União.

O principal alvo da operação é o Maceió Previdência, autarquia responsável pela concessão de aposentadorias e pensões por morte. O órgão informou que colabora com as investigações desde o início e que os investimentos seguiram os ritos legais aplicáveis. A autarquia destacou que seu patrimônio cresceu de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente.

A operação faz parte de uma investigação mais ampla sobre recursos de regimes próprios de previdência aplicados em títulos do Banco Master. Ao todo, 19 estados e municípios teriam investido aproximadamente R$ 1,87 bilhão nesses papéis. Entre os principais valores estão Rioprevidência, com cerca de R$ 970 milhões, e Amapá Previdência, com aproximadamente R$ 400 milhões.

As irregularidades ganharam relevância após a liquidação do Banco Master. Os recursos dos fundos públicos investidos nos títulos ficaram sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, situação que teria provocado déficit em oito institutos de previdência. A PF apura se houve gestão temerária, descumprimento de regras ou ocultação de riscos por gestores públicos.

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