A Polícia Federal indiciou 13 executivos de fundos de investimento, corretoras e fintechs por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O esquema envolvia fraudes no setor de combustíveis. Os indiciamentos fazem parte da Operação Quasar, desdobramento da Carbono Oculto, que identificou o uso de empresas do mercado financeiro para movimentar recursos da facção criminosa. As informações são da Gazeta do Povo.
Os investigados são acusados de integrar uma estrutura financeira ligada aos empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos estão foragidos desde o ano passado. O relatório final da operação foi enviado ao Ministério Público Federal, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça, pede novas diligências ou arquiva o caso.
Segundo a PF, dinheiro proveniente de sonegação fiscal e crimes no setor de combustíveis teria sido inserido no sistema financeiro por meio de contas e fundos de investimento. Os valores são atribuídos ao grupo econômico formado pela Aster Petróleo e pela Copape Produtos de Petróleo. A estrutura servia para esconder os verdadeiros donos do dinheiro e dar aparência legal aos recursos.
A polícia concluiu que três empresas responsáveis pela administração dos fundos teriam participado da estrutura criada para ocultar a origem dos valores e seus beneficiários. Entre as provas estão mensagens, contratos, planilhas, perícias contábeis e extratos bancários obtidos com autorização judicial.
A Operação Quasar foi deflagrada em 28 de agosto de 2025 junto com as operações Tank, da PF no Paraná, e Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal. Na ação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio de cerca de R$ 1,2 bilhão.
As investigações apontaram que as fintechs e estruturas de bancos paralelos ligadas ao esquema do PCC teriam movimentado R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024 em uma única instituição financeira de fachada investigada, e pelo menos R$ 52 a R$ 53 bilhões no total. As empresas utilizavam contas-bolsão, mecanismo usado para fracionar depósitos e ocultar os verdadeiros donos do dinheiro.
