A Polícia Federal adiou o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, que estava marcado para esta quinta-feira (20). O empresário, que está preso, seria questionado sobre a suspeita de ter aliciado e corrompido servidores do Banco Central para obter informações sigilosas sobre seu conglomerado financeiro. As informações são da Gazeta do Povo.

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O adiamento foi pedido pela defesa, que ainda não teve acesso a todo o material da investigação. Vorcaro passou a ser defendido também pelo advogado Daniel Bialski desde o começo do mês. Além dele, a Polícia Federal também aguarda o depoimento de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, suspeito de repassar informações sigilosas ao ex-banqueiro.

As investigações apontam que Vorcaro aliciou servidores do BC por meio de pagamentos de propina, uso de empresas intermediárias e oferta de benefícios indiretos. Em troca, os servidores atuavam como informantes, repassando dados sigilosos e orientações técnicas para tentar evitar a liquidação do Banco Master.

Além de Belline Santana, Vorcaro contava com a colaboração de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor e chefe-adjunto na área, para monitorar fiscalizações. Eles se comunicavam por aplicativo de mensagens.

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Entre as propinas pagas estavam repasses milionários através de empresas de fachada, transações simuladas de compra de imóveis e custeio de viagens internacionais, como passeios para os parques da Disney. A PF aponta que os servidores faziam uma espécie de consultoria paralela, orientando Vorcaro em documentos enviados ao próprio Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos para blindar os negócios do banqueiro.

A defesa de Vorcaro pretende negociar uma terceira tentativa de delação premiada, após as duas primeiras terem sido rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por não aprofundarem as informações já apuradas. A intenção é recomeçar do zero, permitindo que Vorcaro detalhe todo o funcionamento do esquema no Banco Master.

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Na PGR, a percepção interna é de que as chances de negociação com Vorcaro já se esgotaram. Até o ministro André Mendonça, relator da ação do Master no Supremo Tribunal Federal, já sinalizou que não faz questão de uma delação.