A forte queda nos preços do petróleo poderá forçar os EUA e outros fornecedores que não pertencem à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a implementarem, em 2016, os maiores cortes em sua produção desde o início da década de 1990 e, consequentemente, levar o cartel a ampliar ainda mais sua própria produção, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE).

O petróleo continua fortemente pressionado, depois que preocupações sobre o excesso de oferta mundial e a economia da China levaram os preços da commodity a atingir, no mês passado, os menores níveis desde a crise financeira.

Em relatório mensal divulgado hoje, a AIE prevê que a diminuição recente nas cotações do petróleo levará a oferta fora da Opep a ser reduzida em quase 500 mil barris por dia (bpd) no próximo ano, à medida que produtores nos EUA, Reino Unido e Rússia cortarem investimentos. Até o fim de 2016, esses ajustes deverão resultar no maior declínio da produção desde a queda da União Soviética, de acordo com cálculos da agência.

A AIE projeta que o óleo de xisto dos EUA, que ampliou fortemente a produção local, deverá ser responsável pela maior parte da redução esperada, com recuo em torno de 400 mil bpd no ano que vem.

As previsões podem acabar dando sustentação à estratégia defendida pelo maior integrante da Opep, a Arábia Saudita, que tem mantido a produção elevada, apesar dos preços baixos do petróleo, numa tentativa de garantir sua participação de mercado e ampliar a demanda. No passado, os sauditas e outros países da Opep reduziram a produção em tempos de turbulência, com a expectativa de que a oferta menor impulsionasse as cotações da commodity.

A AIE espera que o crescimento da demanda global por petróleo atinja 1,7 milhão de bpd em 2015, o maior patamar em cinco anos. Para 2016, a previsão é de alta de 1,4 milhão de bpd na demanda. Em relação a estimativas anteriores, a agência elevou sua projeção para o consumo de petróleo em cerca de 200 mil bpd para 2015 e 2016.

Com a concorrência reduzindo produção, a Opep poderá ter de ampliar a sua durante o segundo semestre de 2016 “para manter o mercado equilibrado”, avaliou a agência, que dá consultoria a alguns dos maiores produtores mundiais de petróleo.

Também no documento de hoje, a AIE prevê que a produção da Opep aumentará para 32 milhões de bpd na segunda metade de 2016, o maior nível em sete anos. Em agosto, a Opep produziu 31,6 milhões de bpd, 220 mil bpd a menos que em julho, cujo resultado havia sido o mais alto em três anos, segundo a AIE. A redução foi atribuída à diminuição da produção no Iraque e à menor demanda por combustíveis na Arábia Saudita. De qualquer forma, a produção da Opep continuou bem acima de sua meta, de até 30 milhões de bpd. Fonte: Dow Jones Newswires.