O preço do petróleo em Nova York fechou ontem com a mais alta cotação nominal da história. O barril para entrega em junho terminou negociado a US$ 41,38, com alta de US$ 0,30. O valor nominal não considera a inflação do período.

O mercado está extremamente nervoso devido a temores de ataques terroristas no Iraque e na Arábia Saudita, além do consumo crescente nos Estados Unidos e China. Autoridades russas afirmaram que estão produzindo em sua capacidade máxima.

O recorde anterior era de 10 de outubro de 1990, pouco antes do começo da Guerra do Golfo, quando o preço subiu a US$ 41,15. Durante as negociações de ontem, o barril chegou a bater em US$ 41,56.

Em Londres, o barril do tipo Brent foi negociado a US$ 38,80, maior nível desde outubro de 1990.

As cotações não têm reagido às declarações da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que já sinalizaram um aumento da produção em uma reunião informal, marcada para 21 de maio, em Amsterdã.

Além dos fatores geopolíticos, também está pressionando o mercado a alta demanda nos Estados Unidos e na China.

A gasolina nos EUA bate um recorde atrás do outro. Os analistas não conseguem prever quando seu preço cairá, devido a uma capacidade de produção que não está ao alcance da demanda.

Novo choque

A situação é tão grave que alguns analistas já afirmam que a atual crise pode acabar levando a um terceiro choque do petróleo. Neste cenário, o barril do cru leve poderia chegar a até US$ 50 por um período de três a seis meses, na avaliação do economista sênior do Morgan Stanley, Stephen Roach.

De acordo com Roach, para definir o patamar que levaria a uma situação extrema, é preciso analisar não apenas o período de tempo em que as cotações permanecem altas, como também os preços que prevaleceram antes da escalada.

Roach aponta que, há um ano, após o fim da primeira fase da Guerra do Iraque, o barril do cru leve caiu para US$ 25. “Nesse sentido, o atual preço de US$ 40 representa ?apenas? um aumento de 38% da média de US$ 29 que prevaleceu desde o início do ano 2000”, diz o economista em relatório. Por esse motivo, considera que o barril em US$ 40 não pode ser considerado um choque.

Ele lembra que, no começo dos anos 70, os preços do óleo quadruplicaram no que ficou conhecido como o “primeiro choque do petróleo”. Como resultado, os EUA passaram por uma profunda recessão entre 1973 e 1975.

No “segundo choque”, no final dos anos 70, os preços quase triplicaram e causaram a recessão de 1981 a 1982.

Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a possibilidade da alta de preços do petróleo no mercado internacional vir a prejudicar o crescimento econômico brasileiro vai depender da política de preços da Petrobras. Em outros países emergentes, esse fator terá efeito variável, podendo impactar no crescimento de alguns deles, observou. Meirel-les insistiu que, no caso do Brasil, isso vai depender muito da duração do fenômeno e da política da Petrobras.

O presidente do BC considerou prematuro afirmar que a alta do dólar terá repercussão sobre a inflação. “O BC, como sempre, fica aguardando, olhando, analisando e monitorando com cuidado”, afirmou.