Os preços recordes do petróleo transformam o Oriente Médio e irão garantir nos próximos 15 anos lucros de pelo menos US$ 6,2 trilhões aos países do Golfo Pérsico, valor jamais visto pelas economias da região desde a descoberta do petróleo. Nas ruas de Abu Dabi, Doha ou Dubai, essa riqueza é flagrante e um número cada vez maior de empresas e bancos ocidentais são salvos por fundos de investimentos alimentados pelos petrodólares da região. Enquanto o mundo teme uma recessão causada pela crise americana, o Golfo tenta descobrir como conter um superaquecimento de suas economias.

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Segundo um estudo da consultoria McKinsey, que acaba de ser divulgado, os lucros calculados dos países do Golfo (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã e Bahrein) são baseados em um valor médio do petróleo de US$ 71 por barril. Caso a média seja de US$ 100, os ganhos serão de US$ 9 trilhões.

A região ainda vem atraindo um número cada vez maior de imigrantes de todo o mundo, dispostos a preencher os novos postos de trabalho criados – ainda que com condições degradantes sem democracia e com censura explícita. Nos Emirados Árabes, 80% dos 4,5 milhões de habitantes são estrangeiros. No canteiro de obras da Odebrecht em Abu Dabi, 100% dos 2 mil operários são de fora dos Emirados.

Essa imigração massiva começou nos anos 90, quando os lucros no Golfo já somaram US$ 2 trilhões, valor equivalente aos PIBs do Brasil e da Índia juntos. O valor seria suficiente para comprar as dez maiores empresas americanas, como Exxon Mobil, Wal-Mart e General Motors.

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Não por acaso, americanos e europeus tremem ao falar dos fundos soberanos árabes. A venda de portos americanos para uma empresa de Dubai causou um terremoto político nos EUA e acabou não se concretizando. Isso não evitou novas aquisições. Há um mês, fundos de investimentos de Abu Dabi e Kuwait ajudaram bancos suíços a saírem de crises inéditas. Em 2007, a Abu Dabi National Energy Company ainda fez sete aquisições nos Estados Unidos, Canadá, Gana e Índia.

Outra ofensiva vem ocorrendo no mercado imobiliário europeu, que sente os reflexos da crise das hipotecas de alto risco nos EUA. A empresa de Dubai ICD negocia a aquisição da tradicional Colonial, empresa imobiliária de Barcelona que enfrenta problemas com recessão no setor. A construtora Damac também anunciou que investirá US$ 30 bilhões em dez anos em pelo menos cinco países. A Bolsa de Dubai ofereceu US$ 5,8 bilhões pela operadora da bolsa sueca.

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