O jeito é encher o tanque
enquanto ainda dá.

Rio – A Petrobras já admite aumentar o preço dos combustíveis, caso a tendência de alta no mercado internacional de petróleo se mantenha por um período mais longo. Ao comentar ontem, os resultados da empresa no primeiro trimestre, o diretor-financeiro da estatal, Sérgio Gabrielli, reconheceu que a recente disparada do dólar pode impactar o balanço da estatal e levar a um aumento. Ele ressaltou que a empresa vem fazendo um acompanhamento de longo prazo do mercado internacional e, por isso, não promoveu reajustes até agora. “Se essa característica de preços altos se confirmar, vamos ter de ajustar preços no mercado interno”, admitiu.

Segundo ele, o preço do petróleo não comprometeu os resultados do primeiro trimestre, quando a estatal registrou lucro de R$ 3,972 bilhões, resultado 28% menor que o do mesmo período do ano anterior. A queda, explicou, reflete uma redução no preço dos combustíveis promovida em abril de 2003. Antes disso, a receita da empresa era inflada por preços mais altos. “A alta da cotação do petróleo em 2004 não teve grande impacto”, reforçou.

A empresa é criticada por analistas do setor, por segurar os preços internos enquanto o petróleo dispara no mercado internacional. “Não existe defasagem. Isso é um conceito criado por aquele analista que vocês gostam de ouvir”, criticou Gabrielli, sem citar diretamente o nome do especialista Adriano Pires, que sustenta que a defasagem já se situa entre 25% e 30%. Segundo o diretor da Petrobras, o mercado deve ficar atento aos preços de mercados como a Venezuela, a Argentina e a Argélia – e não apenas os Estados Unidos -, se quiser comparar os combustíveis no Brasil com valores de referência no mercado externo. “Não vamos repassar para o consumidor a volatilidade do mercado americano, hoje impactado pela proximidade das férias de verão”, afirmou.

Ele disse que a empresa preferiu, no primeiro trimestre, produzir derivados no País a importar, porque os preços no exterior estão muito altos. A estratégia provocou um aumento da importação de petróleo bruto em 35%, na comparação com o final do ano passado, apesar de o mercado de combustíveis ter caído 2% no período. A Petrobras, então, deixou de ser superavitária em sua balança comercial de petróleo e derivados e apresentou um déficit de US$ 500 milhões. Em 2003, a empresa teve um superávit de US$ 100 milhões.