Uma nova taxação de impostos sobre investimentos do setor de petróleo poderá inviabilizar projetos da Petrobras, informou nesta segunda-feira (27) o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, após participar de apresentação do planejamento estratégico da companhia para empresários, a convite da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

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"É um contra senso. Mas ainda acredito numa solução negociada, seja por meio de uma taxação mais adequada ou ainda com a adoção de elementos de transição para essa nova regra", afirmou. Na prática, explicou o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, o maior prejuízo ocorreria sobre campos de petróleo com reservas inferiores a 100 milhões de barris. "A idéia é péssima porque impede a realização dos investimentos", disse.

Gabrielli fez questão de frisar que do total de investimentos previstos pela Petrobras para até 2012, de US$ 112,4 bilhões, os projetos no Rio de Janeiro respondem por US$ 40 bilhões (36%). Ele já havia criticado a proposta do Rio ainda na sua apresentação, o fato de o Rio querer criar o imposto, no que foi apoiado prontamente pelo presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos De Lucca, e pelo presidente da Organização Nacional das Indústrias do Petróleo (Onip), Eloy Fernandez y Fernandez, que compunham a mesa.

"É importante lembrar que a Petrobras já paga o equivalente ao custo de exploração de dois barris de petróleos em royalties e participações especiais sobre a produção", destacou Gabrielli, sendo rebatido pela sub secretária de Desenvolvimento do Estado do Rio, Renata Cavalcanti: "Esses pagamentos são diferentes. Esse dinheiro vai para outro caixa e o Estado precisa de uma nova fonte de receita", disse ela, da platéia, na Firjan. Gabrielli retrucou, então, que "criar nova receita não é razão palpável para tributar a indústria do petróleo".

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Conflito

O cerne da nova questão tributária envolvendo o Estado do Rio e a Petrobras é que a Secretaria de Fazenda local – hoje nas mãos do ex-secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy – quer deixar o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que congrega os demais secretários de outros Estados. Com isso, o Estado prevê tributar com ICMS (algo entre 16% a 19%) os investimentos da indústria do petróleo, que hoje são isentos por conta de um acordo feito na base do Confaz.

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"Na prática, essa tributação abre uma brecha para que outros Estados façam o mesmo e cria um efeito conturbador às vésperas da Nona Rodada de áreas exploratórias da ANP (Agência Nacional do Petróleo)", considerou o presidente do IBP, João Carlos De Lucca. Por isso mesmo, o IBP está propondo a criação de um imposto de 2% sobre os investimentos para diminuir esse impacto.

Para a Onip, a proposta do IBP é equivocada e o ideal seria manter a estrutura tributária como é hoje. "Qualquer mudança abala o marco regulatório, afasta novos investidores e vai completamente contra o caminho de desoneração da fase de investimentos, hoje presente em todas as indústrias ao redor do mundo", disse Elói Fernandez.