O aquecimento da economia e o consequente aumento no consumo de combustíveis previsto para este ano deverá render à Petrobras novo saldo positivo em sua balança comercial em 2010, apesar de um início de ano deficitário, com a importação de 3 bilhões de litros de gasolina de janeiro a março, disse hoje o diretor de Abastecimento e Refino da estatal, Paulo Roberto Costa.

Apesar da importação de gasolina, Costa destacou que em março a Petrobras bateu recorde de exportações de petróleo bruto, com um pico de 733 mil barris em um dia. O recorde anterior havia sido de 600 mil barris em um dia de 2008. No ano passado, a média de exportações de petróleo bruto ficou em 450 mil barris por dia.

O diretor lembrou também que no ano passado a estatal fechou o ano com saldo de US$ 2,8 bilhões, mas foi obrigada a importar gasolina no início de 2010 por conta ao aumento nas vendas deste combustível em decorrência da alta no preço do etanol, em falta no mercado. Somente a gasolina teve alta de 32% em fevereiro e 20% em março, ante os respectivos meses no ano passado. A perspectiva é de que o combustível deixe de ser importado em maio, quando a safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul estiver totalmente iniciada.

Segundo Costa, a previsão é de que as vendas de combustíveis fechem o ano 5% acima de 2009, recuperando os mesmos volumes comercializados em 2008. “O que temos visto com base no primeiro trimestre é muito surpreendente. A recuperação veio com muita força. O consumo está realmente muito aquecido”, disse em entrevista coletiva durante evento no Rio.

Além da gasolina, ele destacou que também tiveram um crescimento acima do esperado o diesel e o querosene de aviação (QAV), com alta de 8% e 6%, respectivamente, nos primeiros três meses deste ano em relação ao mesmo período no ano passado. “A tendência é de que o diesel ainda aumente um pouco mais, devido à entrada da safra em março”, comentou.

O consumo de GLP, o gás de cozinha, também registrou crescimento, com vendas no primeiro trimestre 2% acima do mesmo período no ano passado. O diretor lembrou que com a entrada em operação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), prevista para 2013, o Brasil deverá conquistar a autossuficiência no abastecimento de GLP. Isso porque durante o momento da inauguração até 2015, com a entrada da segunda geração do Comperj, quando haverá um destino para os produtos básicos da unidade, haverá um aumento expressivo na destinação de óleo para a produção de GLP. “Deveremos até exportar esse produto em 2014”, afirmou.