Foto: Arquivo/O Estado

Petrobrás: abastecimento garantido.

O diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, reafirmou ontem que a companhia não recebeu qualquer pedido formal para aumentar o preço pago pelo gás importado da Bolívia. Por isso, disse ele, continua valendo o preço que consta do contrato assinado com o governo boliviano em 1999, que prevê aumentos trimestrais com base na variação internacional de uma cesta de óleos.

?Existe um contrato em vigor, que está sendo perfeitamente cumprido, e até agora a Petrobras não recebeu nenhum pedido formal de reajuste do preço do gás natural boliviano. O contrato continua em vigor e o preço continua sendo reajustado pelos mecanismos contratuais previstos?, a cada três meses, afirmou Sauer.

Ele negou qualquer tipo de ansiedade na estatal quanto ao cumprimento do contrato ou quanto aos preços praticados. ?O abastecimento está garantido, e o próprio ministro Andrés Soliz Rada (ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia) tem dito que há um contrato em vigor até 2019, que está sendo plenamente cumprido. Então, não há nenhuma ansiedade. Não faremos polêmica pela imprensa?, disse ele.

Sauer lembrou que o último reajuste do preço do gás foi em abril e disse que o próximo deverá ser em 1.º de julho. ?Esse reajuste embutirá a variação da cesta de óleos nos dois trimestres imediatamente anteriores?. Segundo ele, a Petrobras paga atualmente dois preços pelos cerca de 25 milhões de metros cúbicos de gás natural importado diariamente da Bolívia.

?Pagamos US$ 3,43 por cada um dos 16 milhões de BTUs (medida britânica de aferição do volume de gás comercializado) relativos ao contrato firmado em 1996. Para cada um dos outros 14 milhões de BTUs relativos ao aditivo contratual de 2000, pagamos US$ 4,21. O transporte implica mais US$ 1,7 por milhão de BTUs?, informou Sauer. O preço do transporte é revisto no dia 1.º de janeiro de cada ano, com base na variação cambial, acrescentou.

O diretor da Petrobras também contestou afirmações de Soliz de que as negociações entre a estatal brasileira e a YPFB (estatal boliviana do petróleo) estariam interrompidas. ?Existem atuando três grupos de trabalho que discutem temas como a nacionalização das reservas e dos ativos da estatal brasileira?, destacou.

Sauer não quis comentar as acusações feitas pelo presidente da YPFB, Jorge Alvarado, de que a Petrobras estaria sabotando o mercado boliviano ao reduzir a importação de diesel. ?Essas afirmações não correspondem à realidade: então, não há o que responder?, disse ele.