O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, admitiu ontem, a possibilidade de elevar os preços dos combustíveis no Brasil, se a commodity se mantiver no atual patamar de preços no mercado internacional. Ele acredita, no entanto, em queda do petróleo.

?Se você estabilizar os preços nesse nível, teremos que fazer algum ajuste. Mas ninguém garante que os preços vão permanecer nesse nível?, comentou. O executivo evitou dar estimativa de alta dos combustíveis, mas a Agência Nacional do Petróleo (ANP) calculou recentemente ser necessário 30% de aumento na gasolina e 20% no diesel, para equiparar a Petrobras ao patamar internacional.

Gabrielli afirmou que os preços atuais da commodity preocupam, mas elencou razões para queda da cotação internacional. ?Temos o fim do verão americano, tem um processo de aumento de produção acelerado, temos uma certa estabilização geopolítica na região do Oriente Médio que poderá vir a criar uma situação de declínio de preços?, citou.

Mas foi o temor de que militantes possam atacar a Arábia Saudita, que levou a novo recorde do petróleo em Nova York. O contrato para setembro chegou a US$ 63,99 por barril. Os Estados Unidos fecharam missões diplomáticas na Arábia Saudita por dois dias em resposta a ameaças.

O presidente da Petrobras também vê um cenário menos especulativo para os preços da commodity. ?Há uma situação de taxa de juros que podem vir a crescer nos EUA, e isso pode atrair capitais que hoje estão como capitais especulativos na área de petróleo, e eles podem voltar para outros mercados?. afirmou.

Os preços defasados dos combustíveis no Brasil têm prejudicado refinarias privadas, como a de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Gabrielli disse que está negociando uma solução para crise. Ele afastou, como improvável, o arrendamento da refinaria, mas propõe ajudar as exportações de Manguinhos.

?A possibilidade que estamos oferecendo é de Manguinhos usar a infra-estrutura da Petrobras. Como a produção dela é muito pequena, não tem escala para entrar no processo de exportação direta?, disse.

Preço do barril de petróleo encosta em US$ 64

O preço do petróleo registrou uma seqüência de recordes, ontem, e encerrou o dia com o maior valor já registrado em um fechamento na Bolsa Mercantil de Nova York, US$ 63,85, uma alta de 2,47%. O preço do barril iniciou o dia sendo vendido com preço recorde, US$ 62,90. Durante o dia, o preço encostou no patamar de US$ 64. O preço da commodity sofre pressão de um grupo de fatores, sem que seja possível dizer qual o principal responsável.

O mais recente é a notícia de que representações diplomáticas dos EUA na Arábia Saudita irão fechar suas portas nos próximos dois dias devido a uma suposta ameaça de atentados contra os prédios usados pelos americanos no país.

No mês passado, os EUA avisaram seus cidadãos na Arábia Saudita que militantes islâmicos estariam planejando ataques, e proibiram qualquer militar de viajar ao país. O alerta foi provocado pela descoberta de armas e substâncias químicas, perto de Riad, que seriam supostamente usadas por membros da rede terrorista Al Qaeda, do saudita Osama bin Laden.

Outro fator de preocupação entre os investidores é a mudança na liderança na Arábia Saudita. Com a morte do rei Fahd na semana passada, o comando efetivo do país passa formalmente para o novo rei, Abdullah, que já vinha governando o país desde 1995, quando o rei Fahd sofreu um derrame. Os investidores temem que essa mudança de governo possa trazer instabilidades à segurança do país e mesmo eventuais mudanças na política saudita de produção e exploração de petróleo.

Além desses fatores, permanece no horizonte dos investidores uma eventual escassez de combustível nos EUA, devido ao temor de que as refinarias da região do golfo do México sejam afetadas por novos furacões, que forcem interrupção de atividades e, com isso, diminuição de produção. Em setembro do ano passado, o furacão Ivan fez com que diversas refinarias da região paralisassem sua produção, o que fez os preços dispararem.