A Petrobras deve investir U$S 31 bilhões nos próximos cinco anos. Do montante, cerca de US$ 10 bilhões serão destinados à compra de equipamentos. Para proteger o grande volume de investimento – aproximadamente 30% do valor total -, representantes da estatal estiveram ontem em Curitiba durante encontro com empresários paranaenses. O objetivo era não apenas mostrar seu novo Programa de Garantia de Qualidade de Materiais e Serviços Associados, mas convidar empresas interessadas a ingressar no seleto grupo de fornecedores. Atualmente, apenas vinte empresas paranaenses são fornecedoras da Petrobras, entre elas a Kwaerner, de origem norueguesa, que tem instalações no Estado.

“As unidades (da Petrobras) vinham sendo abastecidas conforme o cadastro da década de 80. Vimos, no entanto, que podem existir critérios e metodologia internacionais capazes de aumentar a qualidade e a competitividade”, explica o gerente executivo de Materiais da Petrobras, Luis Fernando Mendonça Frutuoso. O Programa de Qualidade tem como objetivos principais reduzir os riscos operacionais, fomentar a competitividade do mercado fornecedor, garantir suprimentos com preço, prazo e qualidade adequados, garantir a qualidade dos materiais e serviços por parte dos fornecedores da Petrobras e contribuir para a melhora do fator operacional. Também figura como meta da empresa convergir os fornecedores qualificados tecnicamente no cadastro (fornecedores diretos) e os vendors list (fornecedores indiretos).

Atualmente a estatal possui cerca de 1,6 mil fornecedores, dos quais 1,1 mil se referem à fornecimento de materiais para produção de petróleo, derivados e transportes. Desse total, quinhentos (trezentos brasileiros e duzentos estrangeiros) vão fazer parte do Programa de Qualidade. Os demais, segundo Mendonça, já obedecem aos critérios exigidos pela empresa. “O programa não é obrigatório e quem quiser entrar para fazer parte dessa fatia de investimento também pode”, ressalta Mendonça. Só no ano passado, a estatal comprou cerca de US$ 1,5 bilhão de materiais dos fornecedores diretos, sendo que 75% eram do mercado nacional. Para este ano, a previsão é adquirir outros US$ 1,8 bilhão em compra direta – 81% no mercado interno.

Aumento da produção

Além da compra de materiais, que responderão por US$ 10 bilhões do investimento, outros US$ 14 bilhões serão destinados à área de engenharia nos próximos cinco anos. Até então, o investimento era de US$ 1 bilhão por ano. O restante – cerca de US$ 7 bilhões – será aplicado em outros setores.

Em contrapartida, a estatal espera ampliar sua produção de petróleo. A meta é produzir, nos próximos cinco anos, 1,9 milhão de barris de petróleo por dia no Brasil e 260 mil barris no exterior, além do refino de 1,8 milhão de barris. Atualmente, a produção média de petróleo é 1,5 milhão de barris por dia.

O grupo que está divulgando o Programa de Qualidade já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Depois do Paraná, segue para Minas Gerais e Bahia.