A Petrobras prevê investir US$ 53,6 bilhões até 2010, de acordo com o novo plano estratégico da empresa, detalhado ontem. A empresa projeta um crescimento anual médio de 5,9% da sua produção, alcançando a auto-suficiência em 2006. Em 2010, a previsão é que a Petrobras, além de garantir o abastecimento do consumo interno de combustíveis, possa exportar 500 mil barris de petróleo por ano.

“É um plano que está dentro da capacidade da Petrobras, com metas ambiciosas. O plano é factível, financiável e sustentável”, disse o presidente da estatal, José Eduardo Dutra.

A estatal, embora concentre seus negócios na área de exploração e produção, vai apostar em novos negócios no setor petroquímico e na construção de uma infra-estrutura voltada para o gás natural. A maior parte dos investimentos será destinada aos projetos de exploração e produção de petróleo e gás no Brasil. Do orçamento previsto para investimentos, US$ 26,2 bilhões serão voltados para a área.

A Petrobras também investirá na renovação de sua frota de navios e deve destinar US$ 1,2 bilhão para a aquisição de 53 novas embarcações. Na área petroquímica, US$ 842 milhões serão aportados em novos projetos, preferencialmente em parceria com outras empresas. Entre os novos projetos estão a construção de uma unidade de produção de polipropileno e a construção de um pólo gás-quimico na fronteira com a Bolívia.

Na área de refino, a estatal adiou o projeto de construção de uma nova refinaria no País. Até o ano passado, a Petrobras tinha a expectativa de operar uma nova refinaria em 2008. Novos estudos, no entanto, acabaram por levar a empresa a adiar o projeto para o fim de 2010, devido à redução da previsão de consumo de combustíveis no Brasil. O orçamento nem sequer contemplou o projeto da refinaria.

No ano passado, a empresa projetava um consumo de 2,2 milhões de barris de óleo equivalente. Em 2004, a projeção para 2010 caiu para 2 milhões de barris.

Na área de gás, a Petrobras vai investir US$ 3 bilhões na expansão da infra-estrutura para desenvolver o mercado para o produto. Os recursos serão destinados à construção de gasodutos em todo o País. A estatal, entretanto, deixará de investir em novas termelétricas e somente irá terminar os projetos já em andamento.

Presidente não descarta aumento

O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, disse ontem que caberá à Petrobras decidir sobre um possível aumento dos derivados do petróleo. Ele admitiu que a estatal poderá aumentar os preços internamente se o petróleo continuar alto lá fora.

“Vamos continuar analisando. Não há um prazo determinado para isto. Quando chegarmos à conclusão de que há um novo patamar fixado em um horizonte de longo prazo, considerável, aí sim terá chegado o momento do reajuste. Mas isto pode acontecer amanhã ou mais à frente. No momento ainda não chegamos a nenhuma conclusão sobre a alta dos derivados”, disse o presidente da Petrobras.

Dutra afirmou que a empresa está acompanhando atentamente a variação do preço do barril do petróleo no mercado internacional. “O importante é que nossos preços estejam alinhados com os de fora ao longo do ano, o que não significa repassar para o mercado interno a volatilidade que vem de fora”, afirmou.

Ontem, o barril caiu 2%, cotado a US$ 40,70, após ter atingido anteontem a máxima histórica de US$ 41,85.