A Petrobras confirmou a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial brasileira. A exploração ocorreu em águas ultraprofundas a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O achado é visto pelo governo federal e pela estatal como um marco estratégico para garantir a segurança energética do Brasil nas próximas décadas após o declínio do pré-sal. As informações são da Gazeta do Povo.
O petróleo foi encontrado em uma profundidade de água de quase 3 mil metros. Segundo as primeiras avaliações da Petrobras e do governo federal, o óleo é de alta qualidade, com características de um petróleo leve. Esse tipo de óleo tem maior valor comercial no mercado internacional porque é mais fácil de ser refinado para produzir combustíveis como gasolina e diesel. O local fica a mais de 500 quilômetros de distância da foz do Rio Amazonas.
A perfuração do poço Morpho já custou aproximadamente 300 milhões de dólares, com um gasto operacional diário de 1 milhão de dólares. Agora, a Petrobras planeja perfurar mais mil metros para completar a análise técnica e realizar a delimitação da área, o que deve levar entre 15 e 20 dias. Esse processo é essencial para descobrir o volume exato de óleo que pode ser recuperado.
A estatal aguarda novas licenças do Ibama para perfurar outros oito poços na região. Esse esforço é o que definirá se a exploração comercial nessas águas ultraprofundas será financeiramente vantajosa. Para conseguir a licença do Ibama, a Petrobras apresentou planos de proteção à fauna e flora locais.
A operação utiliza o BOP, um conjunto de válvulas de segurança instalado no fundo do mar que bloqueia o poço imediatamente em caso de vazamento por pressão. A estratégia também inclui monitoramento 24 horas por dia, tanto no local quanto remotamente na sede da empresa, além de embarcações de prontidão para conter eventuais manchas de óleo.
A Margem Equatorial deve garantir a reposição das reservas brasileiras quando a produção do pré-sal atingir seu pico, previsto para ocorrer entre 2034 e 2035. Estimativas da agência reguladora indicam que toda a região pode esconder mais de 30 bilhões de barris de petróleo. Se os volumes forem confirmados, o estado do Amapá poderá iniciar a produção comercial em cerca de seis ou sete anos.
