Rio de Janeiro – O aumento de 7,2% no rendimento médio do trabalho no país em 2006, divulgado nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi considerado excelente por Serguei Soares, pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea). Segundo ele, no entanto, a tendência é que o ritmo do avanço da renda não seja mantido em 2007, já que a taxa supera em muito a do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

?Um crescimento do rendimento médio do trabalho de 7,2% é muito bom, excelente, para qualquer padrão. O problema é que a gente passou a maior parte do tempo com a renda do trabalho caindo. Mas é provável que essa taxa acabe caindo, pois com uma taxa de crescimento entre 5% a 6% no PIB, que é ótima e eu espero que continue, não dá para ter uma taxa muito superior?, avalia.

O crescimento da renda foi maior em 2006, segundo o IBGE, para a população que ganha menos, permitindo recuperar o poder de compra que havia sido perdido em 10 anos. Para Soares esse aumento diferenciado é um avanço para a desconcentração da renda no país, mas o grande desafio é manter o processo nos próximos anos.

?Com certeza é um avanço. Há um processo de desconcentração de renda que vem acontecendo. Agora, esse processo tem que durar muito tempo ainda. O ritmo de desconcentração está bom o problema é que precisamos mantê-lo por muito tempo mais. Não se constrói um estado de bem estar social da noite para o dia?

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2006 divulgada nessa sexta-feira pelo IBGE o rendimento médio mensal dos trabalhadores aumentou 7,2% em de 2005 para 2006, atingindo o mesmo patamar registrado em 1999, estimado em R$ 883,00. A alta, que ocorre pelo segundo ano consecutivo, foi maior do que a observada de 2004 para 2005 (4,6%), mas não foi suficiente para recuperar perdas ocorridas a partir de 1996, quando a renda média era de R$ 975,00.

Já para pessoas ocupadas que ganhavam menos a média de renda ficou em R$ 267,00 em 2006 superando os R$ 293,00 registrados em 1996. A Pnad registrou redução no chamado índice de Gini, que serve para medir a concentração dos rendimentos, em todas as regiões do país, mas comprovou também que em 2006 os 10% da população ocupada de mais baixos rendimento detiveram somente1% do total dos ganhos com trabalho, enquanto os 10% com as maiores rendas concentraram 44,4% do total das remunerações.

O panorama apresentou pequena variação em relação ao ano anterior, em que as parcelas foram de 1,1% e 44,7% respectivamente.