Pesquisa feita pela consultoria Deloitte com altos executivos no Reino Unido mostra que 70% dos entrevistados estão pessimistas com a economia brasileira no horizonte de 12 meses. O levantamento também mostrou que nove entre dez ouvidos reclamam da imprevisibilidade do governo e da mudança de regras vista com alguma frequência no País.

Diante da economia em recessão, inflação alta e a dificuldade em fazer negócios no Brasil, a maioria dos altos executivos britânicos ouvidos pela pesquisa demonstra insatisfação: 45% dos entrevistados afirmam estarem “razoavelmente pessimistas” com o Brasil e outros 25% declararam estar “muito pessimistas”. Entre os demais, 25% dizem estar “razoavelmente otimistas” e 5% se declaram “muito otimistas” com o País.

“O governo entregou o pacote fiscal. Executivos acreditam que as medidas serão executadas e parecem estar esperando para ver o que vai acontecer enquanto a economia não cresce”, diz o responsável pela pesquisa e líder do serviço dedicado ao Brasil da Deloitte no Reino Unido, Leonardo Ferreira. Entre os entrevistados, há executivos do setor de serviços, inclusive finanças, energia, recursos naturais, infraestrutura, agricultura e manufatura.

Além da atual situação econômica ruim, entrevistados demonstraram desconforto com o comportamento do governo brasileiro. Segundo a pesquisa, 90% dos entrevistados disseram que “o comportamento imprevisível do governo e a preocupação com mudanças de regras e regulamentos têm forte ou razoável impacto negativo para a realização de negócios no Brasil”.

Longo prazo

Para além do pessimismo com os próximos meses, Ferreira nota que o ajuste fiscal e a esperada recessão em 2015 não afetaram a percepção de longo prazo que executivos britânicos têm do Brasil. “É consistente a percepção de que depois desse ajuste a economia voltará a crescer”. Entrevistados destacaram especialmente as oportunidades geradas pela ascensão social, projetos de infraestrutura – inclusive petróleo e gás – e a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro.

“O Brasil tem uma população enorme. São 200 milhões de pessoas. Se a economia melhorar um pouco e o consumo voltar a reagir, cria-se uma demanda enorme. Poucos países podem gerar essa capacidade de demanda. Esse é um fator muito forte”, diz Ferreira, ao comentar que os brasileiros têm poder de compra maior que em outros emergentes, como China, Índia e Indonésia.

Além do mercado interno, muitos executivos britânicos encaram o Brasil como plataforma de exportação para os demais países da América do Sul. “Além da proximidade, o Brasil tem uma quantidade abundante de recursos naturais usados em diversas indústrias e a mão de obra é relativamente de boa qualidade. Para se estabelecer um centro operacional, é um País atrativo”, diz.