Os trabalhadores que ganham menos foram os que registraram maior recuperação do poder de compra em 2006, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A coordenadora de emprego e rendimento do instituto, Márcia Quintslr, disse que a recuperação ocorreu para os 50% dos trabalhadores com rendimento mais baixo. Essa parcela dos trabalhadores tinha, em 1996, rendimento médio real mensal de R$ 267 e, em 2006, de R$ 293.

Mas, para o total dos trabalhadores, incluindo todas as faixas de rendimento, ainda que tenha ocorrido o maior crescimento anual dos últimos anos (7,2% ante 2005), o rendimento médio real do trabalho não chegou, em 2006, ao patamar em que estava em 1996. Enquanto em 1996 o rendimento médio real mensal era de R$ 975, em 2006, era de R$ 888.

Márcia explica que a recuperação do rendimento para as pessoas com salários mais baixos "decorreu, entre outros fatores, dos diversos aumentos reais do salário mínimo observados no período". Indagada se esses resultados teriam relação com os benefícios do programa Bolsa Família, ela lembrou que esses dados se referem ao rendimento do trabalho, mas admitiu que os efeitos indiretos do programa na economia podem ter contribuído para o resultado.