Os pecuaristas paranaenses que não vacinaram o gado na segunda etapa da campanha contra a aftosa em 2003 pagarão multa de R$ 61,93 por cabeça. O prazo para vacinação – que teve início no dia primeiro de novembro – terminou ontem e não foi prorrogado, como aconteceu em campanhas anteriores.

Mas os produtores têm até 30 de novembro para comprovar que aplicaram a vacina, mediante entrega da nota fiscal da compra da vacina nas 120 unidades veterinárias ou nos 20 núcleos regionais da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).

A expectativa da Seab é que 100% dos 10,5 milhões de bovinos e bubalinos do Estado sejam vacinados. Até ontem, os pecuaristas tinham comprovado a vacinação de 75% do rebanho, mas o balanço final somente será divulgado após o dia 30. Segundo a secretaria, ontem foi dia de grande movimento de produtores entregando os comprovantes de vacinação nos postos da Seab. “A partir do dia 30, faremos um levantamento de quem não comprovou e vamos atrás com a vacinação compulsória, sujeita a penalidades”, explica o coordenador do programa de febre aftosa no Paraná, veterinário Walter Ribeirete. Os pecuaristas que não vacinaram no prazo precisam de autorização para comprar a vacina e são acompanhados por técnicos da Seab no momento da aplicação.

Na primeira etapa da campanha neste ano, realizada em maio, foram vacinados 10.022.565 bois e búfalos dentro do prazo, o que correspondeu a 98,66% do rebanho de 10.158.228 de cabeças. A quantidade restante foi vacinada após o prazo, além de pagar a multa. O Paraná está oito anos e meio sem registrar casos de febre aftosa. Desde maio de 2000, o Estado é considerado área livre de aftosa com vacinação pela Organização Internacional de Epizootias (OIE). Segundo Ribeirete, não há previsão para declaração de área livre sem vacinação. “Quem dá as diretrizes para o programa de erradicação para os circuitos pecuários é o Ministério da Agricultura”, argumenta.

O Paraná faz parte do Circuito Centro-Oeste, junto com São Paulo, Mato Grosso, Goiás, parte de Minas Gerais e Distrito Federal. O status de área livre sem vacinação, conforme o veterinário, “depende de garantias de não haver risco da doença em países vizinhos, o que hoje tem acontecido”. Neste ano, foram registrados focos de aftosa no Paraguai, Argentina e Bolívia. “Não dá para retirar a vacina enquanto tiver a possibilidade de introdução do vírus no Brasil.”