A PEC que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, conhecida como PEC do fim da escala 6×1, pode ser votada nesta terça-feira (6) no Senado. A proposta, que já passou pela Câmara dos Deputados e é bandeira eleitoral do presidente Lula, enfrenta resistência de entidades empresariais que tentam impedir o quórum mínimo para votação. As informações são da Gazeta do Povo.

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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) articula com senadores para adiar a votação até depois das eleições. A entidade argumenta que a mudança constitucional é rígida e pode trazer danos à economia. O lema da campanha é “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”.

Setores de comércio, serviços e indústria temem que empresas que funcionam todos os dias, como supermercados e farmácias, tenham que contratar mais funcionários ou pagar horas extras. O economista Luís Gustavo Budziak alerta que a redução de jornada não criará mais receita para o varejo, mas aumentará custos operacionais.

Consumidores podem pagar mais caro por produtos e serviços

O repasse de custos ao consumidor é outro efeito esperado. “O repasse de preços no varejo e serviços poderá ser sentido pelos consumidores nos próximos meses”, avalia Budziak. Empresas em dificuldades financeiras terão desafios ainda maiores para se adaptar.

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Um estudo da Quartzo Capital com três redes de supermercados (GPA, Assaí e Grupo Matheus) mostra que a folha de pagamento representa cerca de 8% da receita líquida. Se for necessário contratar mais pessoal, o impacto pode reduzir em 12% o EBITDA (lucro operacional) em relação a 2025.

Para pequenos negócios, a situação é mais difícil. O pequeno empresário terá que reduzir o horário de funcionamento, diminuir a lucratividade ou trabalhar sozinho nos dias de folga dos empregados, segundo o economista.

Estudos preveem perdas bilionárias e redução de vagas formais

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O FGV Ibre calculou que a redução da jornada pode provocar perda imediata de 2,6% da atividade econômica. O Centro de Liderança Pública (CLP) estimou queda de 1,1% no número de empregos formais, equivalente a cerca de 640 mil vagas. O estudo também apontou redução de 0,7% na produtividade por trabalhador e impacto de aproximadamente R$ 88 bilhões na atividade econômica.

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) projetou perdas ainda maiores: até R$ 2,9 trilhões em faturamento, equivalentes a 16% do PIB de 2024. A entidade alertou para aumento de preços, avanço da informalidade e risco maior para micro, pequenas e médias empresas.