Economia

PEC 6×1 não garante virada eleitoral de Lula no segundo turno

Imagem mostra Lula com a bandeira do Brasil ao fundo.
Imagem mostra Lula em coletiva para a imprensa. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 não será capaz, sozinha, de garantir uma virada eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das Eleições 2026. Apesar do apelo popular, especialistas avaliam que a medida influencia apenas parcelas específicas do eleitorado, enquanto a frustração com o poder de compra e os serviços públicos pesa contra o governo. As informações são da Gazeta do Povo.

A PEC 221/2019 promete melhor qualidade de vida para trabalhadores com vínculo formal, o que pode atrair parte da Classe C e eleitores que não compareceram ao primeiro turno. Porém, segundo o cientista político Flávio Santana, da Êxito Public Affairs, a proposta não tem força para superar a rejeição ao governo nem reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro, vencedor do primeiro turno.

A Classe C representa a maior fatia da população brasileira e reúne tanto trabalhadores assalariados quanto autônomos e pequenos empreendedores. Levantamento do instituto Meio/Ideia mostrou que Flávio obteve 53% das intenções de voto nesse segmento no primeiro turno, contra 37% de Lula.

Efeitos da PEC na Classe C são limitados

Analistas acreditam que a campanha petista usará a PEC para atrair a Classe C, mas os efeitos não serão tão expressivos quanto o esperado. A aprovação tende a beneficiar Lula entre empregados do comércio e serviços, que veem a ampliação do descanso semanal como conquista concreta, segundo Eduardo Grin, cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entretanto, a parcela da Classe C que atua como autônoma prioriza crescimento econômico e empreendedorismo, mantendo rejeição ao governo atual. Flávio Santana destaca que esse grupo enxerga além do apelo eleitoral imediato da medida.

Abstenção do primeiro turno divide votos entre candidatos

Cerca de 33 milhões de eleitores deixaram de votar no primeiro turno, o maior índice de abstenção em eleições gerais desde 1998, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha petista aposta que a PEC ajudará a mobilizar esse contingente, especialmente beneficiários do Bolsa Família.

Grin explica que a inserção desses beneficiários no mercado de trabalho tem crescido, o que pode gerar mobilização. Porém, Santana adverte que os votos desse grupo tendem a se dividir entre os dois candidatos. Ele questiona como garantir que eleitores contrários à PEC, que não compareceram no primeiro turno, também não se mobilizarão em favor de Flávio Bolsonaro.

Para os especialistas, a PEC oferece narrativa à campanha de Lula, mas se mostra insuficiente para desmontar a rejeição ao governo ou reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro. Santana resume o cenário como um debate entre benefício social imediato e custo a médio e longo prazo, atingindo parcelas diferentes da população.

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