Embora tenham conquistado muitos espaços no mercado de trabalho nos últimos anos, as mulheres ainda continuam ganhando, em média, menos que os homens. Entre 1990 e 2010, a participação delas no mercado de trabalho formal do Paraná saltou de 34,43% para 42,90%. No entanto, o salário médio das 1,1 milhão de trabalhadoras com carteira assinada em dezembro de 2010 – último dado disponível – era 18,63% inferior ao dos 1,5 milhão de trabalhadores, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em valores, o sexo feminino, recebia R$ 1.347,24 -contra R$ 1.655,50 do sexo masculino.

“A diferença ainda é grande, mas vem diminuindo”, avalia o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Paraná (Dieese-PR), Sandro Silva. “Em 2003 a diferença chegou a 28%”. No Brasil a diferença salarial chega a 16,92% negativo. Para tentar mudar esta situação, o Senado aprovou esta semana um projeto de lei que determina a aplicação de multa a empresas que pagarem salário menor para mulheres com função igual à dos homens.

Enquanto a lei não é sancionada, as mulheres seguem na luta por melhorias. Mesmo com maior escolaridade (29% das trabalhadoras paranaenses concluíram o ensino superior, contra 15% do sexo oposto), elas dificilmente conseguem alcançar os cargos de chefia, que oferecem os melhores salários. Além disso, as mulheres têm maior participação nos segmentos que pagam menos, como por exemplo, o setor têxtil, a indústria de alimentos e o comércio. “Em alguns casos existe também o preconceito e a ideia de que a trabalhadora divide sua atenção com a família”, explica Silva.

Até mesmo nos setores em que as mulheres ganham salários maiores, a vantagem não é efetiva. Na construção civil elas ganham mais, isto porque ocupam cargos melhores. “As mulheres da construção civil atuam mais na área administrativa, que tem média salarial maior, enquanto os homens estão nas obras”, explica o economista.

Além disso, Silva ressalta o aumento significativo da participação feminina no mercado de trabalho, em especial nos setores que culturalmente eram exclusivamente masculinos. Ele atribui esse avanço da participação feminina ao processo de recuperação à crise econômica pela qual passou o País nos anos 90 e ao aumento das mulheres como chefes de família.