São Paulo – O presidente da Parmalat S.A., Ricardo Gonçalves, reuniu os credores ontem no fim da tarde no escritório dos advogados da empresa para afirmar que as operações no Brasil estão com os dias contados se o governo não publicar uma medida provisória antecipando uma regra prevista na nova Lei de Falências, que ainda tramita no Senado.

Em carta endereçada ao conselho de administração da empresa, Gonçalves confirmou que a matriz está disposta a dividir com a unidade brasileira um novo aporte de recursos que negocia com credores na Itália, mas não poderá enviar o dinheiro porque a legislação atual de falências do Brasil não permite que esses investidores tenham preferência no pagamento, caso a empresa venha mesmo a falir. Segundo uma pessoa presente à reunião, o aporte seria de R$ 75 milhões.

Na carta, Gonçalves diz que a Parmalat do Brasil recebe diariamente sondagens de investidores interessados em comprar parte ou toda a empresa, mas essas soluções sempre esbarram na ausência de garantias de que o investimento feito agora terá prioridade sobre as dívidas anteriores.

Parando

A Parmalat está produzindo 40% do volume registrado antes da crise, informou ontem o gerente-executivo de Comunicação da empresa, Afonso Champi. Segundo ele, há problemas de funcionamento nas unidades, como a paralisação temporária de Itaperuna na terça-feira, e a de Garanhuns, em Pernambuco.

BB

O Banco do Brasil (BB) vai ter de liberar para a Parmalat R$ 23,6 milhões que estavam retidos na conta corrente da empresa. A decisão é da juíza da 9.ª Vara Civil de São Paulo, Lucila Toledo Pedroso de Barros Padilha, que ontem à noite julgou extinta, “por falta de interesse de agir”, ação cautelar proposta pelo banco contra a Parmalat.

O Banco do Brasil, em razão dessa ação, havia descontado da conta corrente da Parmalat R$ 6,6 milhões a pretexto de pagamento de parcelas de operação de empréstimo e, posteriormente, reteve o restante do saldo.