O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, prometeu fazer a estatal brasileira “voltar a ser grande”. Para isso, ele quer se desfazer de ativos – e ideologias ultrapassadas – que não servem mais à empresa mais importante do Brasil. Em uma entrevista realizada na sexta-feira com o Wall Street Journal, Parente sinalizou que uma companhia mais enxuta, lucrativa e livre de intervenções políticas é o caminho para restaurar a imagem manchada da empresa.

“Esta será companhia séria (…) com a melhor gestão que podemos encontrar nesse País”, disse Parente. “Os desejos que temos para a Petrobras não são pequenos. Eu não teria aceitado o cargo se não fosse para trabalhar e fazer ela voltar a ser grande.”

Ele indicou que sua estratégia está em linha com a desenhada pelo seu antecessor, Aldemir Bendine: vender ativos não essenciais e cortar gastos para reduzir sua enorme dívida, atualmente em cerca de US$ 126 bilhões.

Parente afirma que a companhia recebeu três propostas para a BR Distribuidora, mas não quis dar mais detalhes sobre as ofertas. A estatal também conversa com a canadense Brookfield Asset Management sobre a venda de sua malha de gasodutos, a Nova Transportadora do Sudeste. Ele também revelou seu plano para reduzir a dívida da companhia para algo entre uma e duas vezes a sua geração de caixa. Anteriormente, a Petrobras havia estabelecido uma meta de redução para 2,5 vezes.

“O seu maior desafio será reduzir o endividamento da Petrobras, que é virtualmente insolvente”, afirma Luis Octavio da Motta Veiga, que já presidiu a estatal. Ele elogiou a escolha de Parente. “Ele pode conseguir, mas não vai ser fácil”.

Parente também sinalizou outras possíveis mudanças. A Petrobras já demitiu milhares de trabalhadores terceirizados e criou um programa de demissão voluntária. O novo presidente não descartou a possibilidade de novas demissões, mas também não entrou detalhes.

Ele ainda disse apoiar o projeto de lei que abre a possibilidade para que petrolíferas estrangeiras possam operar poços de petróleo no pré-sal – uma posição que tem atraído fortes críticas de sindicatos do setor e de outros grupos preocupados com a possibilidade de o Brasil entregar seu patrimônio para estrangeiros.

A atual lei exige que a Petrobras seja a principal operadora e tenha pelo menos 30% de participação em qualquer projeto do pré-sal. O mandato tem forçado a estatal a se endividar fortemente e também atrasado o desenvolvimento da produção.

“Existe um tabu ou dogma em relação ao gerenciamento ativo do portfólio? Não”, disse Parente. “Dadas as nossas restrições financeiras, teremos que ser bastante seletivos na escolha de que campos iremos investir”, afirmou.

O presidente da estatal também disse que não está preocupado com o ambiente político brasileiro. “Eu não posso me preocupar com isso, está fora do meu controle”, comentou. “A companhia não pode perder tempo. Minha perspectiva em termos de tempo é ficar aqui e lidar com o que precisa ser feito. Eu não estou esperando qualquer definição (em relação ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff).”

Parente também disse que recebeu garantias de que não haverá interferência política na empresa. Ele terá também que lidar com os poderosos sindicatos do segmento, que já emperraram planos passados de cortar gastos. Várias organizações realizaram paralisações e protestos após Parente indicar que apoiará a medida que retira da Petrobras a obrigatoriedade da participação.

“Estou pronto para o diálogo (com os sindicatos), mas ele precisa ser baseado em dados e fatos”, disse. “Infelizmente, muitos deles têm visões dogmáticas. Mas estou completamente aberto ao diálogo”, reforçou.

Representantes dos sindicatos não responderam à esta reportagem. Parente também sinalizou sobre como pretende lidar com as processos que estão sendo abertos por investidores nos Estados Unidos. “A história mostra que você faz acordos”, disse. Fonte: Dow Jones Newswires.